Mostra comemora 60 anos da Bienal e reúne artistas celebridades

Exposição traz obras de Damien Hirst e fotos polêmicas de Jeff Koons com Cicciolina

Valor Online |

Estará lá uma vaca cortada ao meio. Em outra sala, fotos explícitas da ex-estrela pornô italiana Cicciolina. O pavilhão da Bienal de São Paulo, já tradicional palco de polêmicas em edições anteriores, reúne a partir desta sexta-feira (30) mais obras provocativas, na exposição "Em Nome dos Artistas - Arte Contemporânea Norte-Americana na Coleção Astrup Fearnley".

Divulgação
"Mother and Child Divided", de Damien Hirst
"Isso é arte?" A pergunta mais constante quando o assunto é arte contemporânea deverá ser levantada várias vezes pelo público que for à exposição que comemora os 60 anos da Bienal. Se, em 2010, o artista Nuno Ramos teve que retirar sua instalação "Bandeira Branca", que continha três urubus vivos, após protestos de ativistas ambientais, agora o Pavilhão terá "Mother and Child Divided", de Damien Hirst, instalação composta por vaca e bezerro cortados ao meio em tanques de formol, que chocou o público da Bienal de Veneza de 1993.

E se, em 2008, um grupo invadiu a Bienal e pichou paredes para questionar "os limites da arte", a exposição atual tem uma série de obras proibidas para menores de 18 anos. Trabalhos de artistas como Paul Chan, Cindy Sherman, Matthew Ronay e Richard Prince exibem sem nenhum pudor genitálias ou cenas de conotação sexual. As controversas fotos de Jeff Koons em que ele se retratava com sua então mulher Cicciolina em pleno ato sexual, também estão lá.

"Não há verdades na arte contemporânea. Tudo é subjetivo", diz o curador Gunnar Kvaran, diretor do Astrup Fearnley Museum of Modern Art, de Oslo (Noruega). Já Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal, afirma que "faz parte da vocação da arte gerar discussão (...) É necessário gerar debates sobre os limites da arte".

Seja como for, a equipe diz que está preparada para possíveis polêmicas. De antemão, um limite já está imposto, já que, diferentemente da Bienal, "Em Nome dos Artistas" não será gratuita (entrada inteira custará R$ 20).

O Astrup Fearnley Museum of Modern Art foi inaugurado em 1993 com uma coleção que enfoca artistas contemporâneos estrelados e obras famosas. Não foi pensada da maneira mais tradicional, privilegiando movimentos e períodos históricos. Em certo sentido, o museu oferece a arte de uma maneira mais espetacularizada e democrática.

O conceito casa com a proposta atual da Bienal. A exposição traz 51 artistas da coleção e exibirá 219 obras em três andares do prédio. É praticamente uma Bienal em ano sem Bienal de SP. "Esta exposição é resultado de uma busca por uma consolidação institucional. Queremos criar uma programação constante, para formação de público", afirma Martins.

Segundo ele, o museu norueguês foi escolhido para a parceria porque possui um dos acervos mais relevantes de arte contemporânea do mundo. Dentro do recorte específico da produção dos EUA nos últimos 30 anos, os principais grandes nomes estão lá.

Damien Hirst, o artista inglês mais rico da atualidade, tem uma "mostra dentro da mostra", segundo Kvaran. O curador seguiu o conceito do museu ao criar pequenas individuais colocadas lado a lado. "Quis isolar os artistas dessa exposição, em vez de contextualizar. Ao mesmo tempo, eles estão sendo mostrados em grupo."

Isso fica mais evidente no terceiro andar do prédio, dedicado aos artistas consagrados. No segundo, estão os artistas americanos ainda em processo de consolidação. "Não há apenas uma América, mas várias. São diferentes sotaques. Nos últimos dez anos, percebemos uma influência forte da turbulência política no trabalho desses artistas", diz o curador. E, no primeiro andar, estão as obras de Hirst.

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É a chance de entrar em contato com artistas-celebridades, muito comentados, mas raramente vistos por aqui. Cindy Sherman, por exemplo, está presente com seus retratos, incluindo alguns da série dos anos 70 "Untitled Film Stills", em que encarna personagem de filmes imaginários.

Matthew Barney, também conhecido como "marido da [cantora] Björk", aparece com seu famoso ciclo "Cremaster"; em suas fotos cruas, Nan Goldin retrata o sexo e a Aids, enquanto as cores pop de Jeff Koons colocam lado a lado a arte, o kitsch e o consumismo.

Com a instalação "Adam & Eve Exposed", em que vemos apenas as genitálias de dois corpos aparentemente reais (não são), Damien Hirst faz referência aos causadores do pecado original. "A gente costuma subestimar a vinda desses artistas para o Brasil", diz Martins.

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