"Mona Lisa" e sua "gêmea" espanhola se encontram no Louvre

Obra-prima de Da Vinci e pintura feita por um de seus discípulos estão expostas no museu francês

EFE |

"A Mona Lisa do Prado", versão pintada por um discípulo de Leonardo da Vinci, será exposta a partir desta terça-feira (dia 27) no Louvre em um local não muito distante da "Gioconda" original. A mostra também inclui a recém-restaurada "Santa Ana", considerada a "última obra-prima" do genial renascentista.

A obra "gêmea", que faz parte do acervo do Museu do Prado, em Madri, poderá ser admirada pelo público no Hall Napoleon, onde acontecem exposições temporárias.

Reprodução
A Mona Lisa original (esq.) e sua "irmã gêmea"

O quadro original, que recebe diariamente uma média de 20 mil visitantes, permanece em sua sala habitual do primeiro andar "por razões de segurança e de conservação", explicou o comissário da mostra, Vincent Delieuvin.

"Porém, temos um quadro que serve perfeitamente" para representá-la, que foi "estudado recentemente" e que, graças à sua restauração, "mostra a composição em um fase intermediária", ressaltou.

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Divulgação
"A Virgem e o Menino com Santa Ana", de Leonardo da Vinci
Delieuvin explicou ainda que esta versão pintada por um dos dois discípulos favoritos de Leonardo da Vinci, Salaï (1480-1524) ou Francesco Melzi (1493-1572/73), é "menos surpreendente" que as versões da "Santa Ana".

A concepção desta "última obra-prima" de Da Vinci, na qual o pintor trabalhou até sua morte e por quase duas décadas, é, segundo ele, "muito mais ambiciosa", entre outras razões por se tratar de um grupo em movimento, do qual se conhecem inúmeras variações.

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O Louvre reúne algumas delas, que mostram uma mudança de direção do grupo ou uma Santa Ana rejuvenescida e contemplativa, longe daquela mulher que inicialmente tenta evitar que sua filha, Nossa Senhora, proteja em excesso Jesus do sacrifício que o espera, representado por um Cordeiro, no lugar onde esteve São João Batista.

Tudo isso a partir de um primeiro e pequeno desenho original, criado com um método inédito que o mestre chamava "componimento inculto" (composição instintiva) pelo qual sobrepunha um magma de linhas e sombras das quais só ele sabia extrair a estrutura sonhada.

Da "Gioconda" conservada no Prado desde 1666 - cuja extraordinária qualidade foi redescoberta no início deste ano após sua restauração e estudo técnico por ocasião desta exposição -, o comissário ressaltou à Efe que ela foi criada na oficina de Leonardo "ao mesmo tempo em que ele trabalhava no original".

"Como sempre, os alunos terminavam antes, porque ele demorava muito tempo para pintar seus quadros, e essas cópias são como uma fotografia do original em um certo momento de sua execução", disse Delieuvin.

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Por isso "é muito interessante essa Gioconda", "irmã gêmea" da original, junto à qual esteve na oficina de Leonardo e que mostra um momento da paisagem depois desaparecido da versão final, onde está "coberto por outros elementos da pintura", destacou.

"Como diz muito bem no catálogo (da mostra) nossa colega Ana González Mozo" (co-autora dos estudos e da restauração junto com Almudena Sánchez Martín), na oficina 'não buscavam reproduzir fielmente' o famoso 'sfumato' de Da Vinci, 'toda sua ciência da pintura', mas sim 'era a forma que lhes interessava'", explicou.

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