Minissérie Anos Rebeldes marcou Brasil nos anos 1990

Produção transformou a Heloísa de Claudia Abreu em heroína do Fora Collor

iG São Paulo |

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Claudia Abreu é morta no final de Anos Rebeldes
Exibida entre julho e agosto de 1992, a minissérie Anos Rebeldes foi um dos momentos mais marcantes da televisão brasileira. A produção acompanhava a história de João Alfredo (Cássio Gabus Mendes) e Maria Lúcia (Malu Mader) entre 1964 e 1979, época em que o Brasil enfrentava uma ditadura militar. A política, longe de servir como pano de fundo, era a protagonista da trama. Censura, luta armada, tortura: tudo isso foi mostrado nos vinte capítulos da série. E quem caiu nas graças do público foi Heloísa, jovem que partiu para a resistência armada ao regime e terminou a história metralhada por um soldado.

O papel elevou Cláudia Abreu ao estrelado. Mais do que isso: Heloísa serviu de inspiração para os cara-pintadas, jovens que tomaram as ruas para protestar contra o então presidente Fernando Collor de Mello. As primeiras passeatas pedindo seu impeachment, ainda tímidas, aconteceram durante a exibição da minissérie. O famoso discurso em que Collor pediu que os brasileiros usassem verde-amarelo em sua defesa e, em resposta, recebeu pessoas vestidas de preto aconteceu apenas dois dias após o final da trama. Nas manifestações seguintes, eram comuns as bandeiras com a frase "Anos Rebeldes último capítulo: Fora Collor".

Anos Rebeldes foi a obra mais política de Gilberto Braga, numa época em que o autor era bastante político. Em suas duas novelas anteriores, Vale Tudo e O Dono do Mundo, discutiu temas como corrupção e impunidade com um pessimismo inédito na televisão brasileira (Marco Aurélio, o vilão de Vale Tudo, mandava uma banana para o Brasil enquanto fugia impune no último capítulo). O clima pesado continuou em sua primeira novela depois de Anos Rebeldes, Pátria Minha, em que a heroína mais uma vez era Claudia Abreu. Dessa vez, ela vivia outra jovem idealista, mas que não pegava em armas.

Em 2003, a minissérie foi lançada em DVD. Assistindo aos três discos, é possível perceber que Anos Rebeldes envelheceu bem. A mistura de fatos históricos e dramas individuais, de política e romance, é bem tramada. A Heloísa de Claudia Abreu, obviamente, é a personagem mais forte, a ponto de ofuscar os protagonistas Cássio Gabus Mendes e Malu Mader. Mesmo assim, há boas tramas paralelas. Incluindo aí o Galeno vivido por Pedro Cardoso. Trata-se de um autor de novelas que enfrenta problemas com a censura. A inspiração, nem é preciso dizer, é o próprio Gilberto Braga.

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