Millôr era o maior gênio brasileiro

Personalidades comentam a morte de Millôr Fernandes

iG São Paulo |

AE
Millôr Fernandes
Humorista, escritor, desenhista e dramaturgo, Millôr Fernandes morreu na noite de terça-feira (dia 27) aos 87 anos.

Para o escritor Sergio Sant’Anna , Millôr era o "maior gênio brasileiro". “Podemos dizer, sem medo de errar, que o Millôr era o maior gênio brasileiro, um gênio múltiplo, falar que era humorista é muito pouco. O Millôr era um filósofo que utilizava o humor como arma de expressão”, disse o escritor.

Leia mais: Millôr Fernandes morre aos 87 anos

A presidenta Dilma Rousseff disse em nota oficial que Millôr era gênio e ícone do humorismo. "Brilhante jornalista, com a mesma maestria tornou-se escritor, cartunista e dramaturgo. Autodidata, traduziu para o português dezenas de obras teatrais clássicas. Atuou em diversos veículos de comunicação, além de ter sido fundador de publicações alternativas. Com sua morte, o Brasil e toda a nossa geração perdem uma referência intelectual."

“O Millôr teve uma trajetória muito original, pessoal, desde o tempo da revista ‘O Cruzeiro’. Toda a produção do Millôr nunca é uma coisa absolutamente clara, é como se não fosse aquilo que parece ser. Parece uma piada simples, mas não é. Muitas vezes parece um pequeno conto sem pé nem cabeça, e aí você acaba descobrindo que tem pé e cabeça - e até mais de uma. Ele tratava dos assuntos com uma complexidade muito grande, mas aparecia para o leitor de forma muito simples, singela. Às vezes soava até ingênuo, mas havia sempre uma elaboração bastante complexa por trás daquilo", disse ao iG o cartunista Laerte Coutinho . “Ele deixou carne para a gente se alimentar por muito tempo. Material para a gente curtir durante séculos, uma obra enorme. Tenho certeza que estaremos lendo Millôr Fernandes por décadas.”

Mateus Prado: Millôr Fernandes foi e continuará sendo um educador

Lu Lacerda: O que o genial Millôr pensava sobre dinheiro

"Conheci o Millôr antes de ele ser Millôr Fernandes. Assinava Van Gogo, na revista 'O Cruzeiro'", revelou o desenhista Mauricio de Sousa . "Eu me alimentava com as tiradas geniais, algumas que, por ser muito jovem, nem entendia. Era um humor atilado, sofisticado. Com o tempo, fui perdendo o Van Gogo e conhecendo a majestade do humor de Millôr. Nos últimos anos, acompanhei como e quando pude aquela visão de mundo que ele nos passava. E aqui e ali, com críticas super-inteligentes. Deixa um legado para a eternidade."

Já a cantora Zélia Duncan tuitou: “Festa no céu, mas a gente fica assim, assim... obrigada por tanto!”

VEJA CHARGES E AMOSTRAS DA OBRA DE MILLÔR FERNANDES

Divulgação
Charge de Millôr Fernandes
"O Millôr conseguia misturar desenho e texto", afirma Zuenir Ventura . "Ele não fazia apenas rir, mas pensar. Sexta perdemos Chico Anysio, agora o Millôr. O Brasil perdeu a graça."

Para o cartunista Paulo Caruso , Millôr "marcou a imprensa brasileira, foi editor do 'Pasquim'. Ele foi curtir o Chico Anysio pessoalmente".

O também cartunista André Dahmer , autor de "Malvados", disse que "Millôr era o cicerone de sua geração, pergunte aos velhos do Pasquim. Não será lembrado apenas pela imensa bagagem, mas também por ser dono do leme."

Para o chargista Gustavo Duarte Millôr sempre foi o grande ídolo dos ídolos. "Conheci o trabalho dele ainda quando moleque, na casa do meu tio, lendo o 'Pasquim' e o 'Pif-Paf', que influenciaram e influenciam até hoje todos nós que trabalhamos com desenho de humor."

"O humor não tem o mesmo vigor sem Millôr e Chico [Anysio]”, lamenta Arnaldo Jabor .

Lu Lacerda: Tudo que o genial Millôr pensava sobre dinheiro

"Conheci o Millôr uma vez, há uns dez anos", contou o editor de quadrinhos da Companhia das Letras, André Conti , em seu Twitter. "Quando o cumprimentei, perguntou se eu sabia que o lesbianismo era mais comum entre as mulheres."

"Além de filósofo do nosso cotidiano, com um humor cáustico, foi excelente cronista, dramaturgo, tradutor, jornalista e desenhista. Seu pensamento crítico contribuiu para todas as áreas da cultura brasileira", disse a ministra da Cultura, Ana de Hollanda .

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin , divulgou nota de pesar. "O Brasil perde o homem das fábulas e dos contos fabulosos. Millôr Fernandes era um mestre das palavras e das artes em todas as atividades que exercia, com humor cortante e crítica inteligente: jornalista, desenhista, tradutor, roteirista de cinema e dramaturgo. É com grande pesar que transmito meus sentimentos e orações a todos os seus fãs, amigos e familiares."

Siga o iG Cultura no Twitter

Velório

O corpo será velado a partir das 10h de quinta-feira (29) no cemitério Memorial do Carmo, no bairro do Caju, no Rio. Segundo a assessoria do cemitério, o corpo será cremado no Crematório da Santa Casa.

    Leia tudo sobre: Millôr Fernandeslivroliteratura

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG