Músico chamou a polícia após sentir-se ofendido; próxima noite do show será na segunda-feira (19)

Show de humor em que comediantes fazem piadas com temas considerados delicados, como deficientes, negros e homossexuais, o Proibidão do Stand Up continua com a programação normal mesmo com a polêmica ocorrida em sua estreia.

Na última segunda-feira (dia 12), primeira noite em que ocorreu o show, um músico chamou a polícia após sentir-se ofendido com uma piada que considerou racista. O tecladista Raphael Lopes, integrante da banda que acompanha os comediantes no show, foi o autor da denúncia.

Danilo Gentili entre os comediantes do
Divulgação/Luis França
Danilo Gentili entre os comediantes do "Proibidão do Stand Up", entre eles Felipe Hamachi
Após encerrar uma piada dizendo que transava sempre com macacos, o humorista Felipe Hamachi, um dos participantes do Proibidão, olhou para o músico - que é negro - e questionou-o com um "né?".

Raphael, que na banda é conhecido como Rapha DanTop, chamou a polícia, mas acabou não registrando queixa. Seu advogado, Dojival Vieira, disse que pretende pedir uma representação para que se instaure um inquérito policial com acompanhamento do Ministério Público.

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O show acontece no Kitsch Club, em São Paulo. Antes do início da noite, os clientes têm de assinar um termo em que se comprometem a não se ofender com as piadas da noite, além de deixar celulares na chapelaria.

Idealizador do Proibidão do Stand Up, o humorista Luiz França disse que a polêmica não alterou a programação dos shows. A segunda noite, marcada para a próxima segunda (19), vai acontecer normalmente. "Continuaremos todas as semanas e contaremos com novos humoristas. Não temos uma data de encerramento."

Sobre o caso de Raphael, Luiz diz que havia conversado com os músicos antes do início da sessão, mas o tecladista chegou depois. "Expliquei aos músicos que os humoristas poderiam brincar com eles, pois eles estariam no palco e eram parte do show. Essa piada do Hamachi é pesada, e ele achou que como o cara estava no palco poderia brincar com ele. Jamais vamos ofender ninguém da plateia. A ideia é podermos nos expressar sem medo da reação depois."

Danilo Gentili: "Não preciso de 'Proibidão' para fazer a piada que eu quero"

Especialista em direito social, a advogada Suely Spadoni afirma que o termo assinado pelo público não tem validade jurídica, pois "afronta a Constituição". "A ofensa é uma questão de foro íntimo. Você não pode prever antecipadamente que uma atitude sua possa ou não ofender uma pessoa. A nossa Constituição é clara quando diz que ninguém pode ser humilhado ou ter seus direitos violados, independentemente, por exemplo, de cor ou raça."

"Estamos lutando pela liberdade de expressão de piadas", afirma Luiz França. "É piada, não é uma coisa pessoal, não é o que eu penso. Quando faço uma piada de um motoboy que cai e morre, não desejo isso para ninguém." Ele diz que não apenas a programação, mas o teor das piadas do Proibidão vai continuar. "Não vamos ficar com receio. Sabemos que aparecerão pessoas com segundas intenções, mas estamos preparados."

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