Masp abre exposição "6 Bilhões de Outros"

Mostra de fotógrafo francês reúne 5 mil depoimentos captados em 75 países

Agência Estado |

Getty Images
O fotógrafo Yann Arthus-Bertrand
O fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand, de 65 anos, nasceu numa conhecida família de joalheiros parisienses, mas nunca se interessou por diamantes e esmeraldas. Seu tesouro está acima da terra. Bem acima, aliás. Conhecido por suas fotos aéreas, entre elas a de um manguezal em forma de coração na Nova Caledônia, arquipélago da Oceania, Arthus-Bertrand já esteve algumas vezes no Brasil e volta para inaugurar amanhã, no Masp, a exposição "6 Bilhões de Outros", seu mais ambicioso projeto até o momento. Recorde de público na França na temporada passada, a mostra é inédita no Brasil e só foi exibida na Europa e Ásia, onde foi vista por 3,5 milhões de pessoas.

O projeto "6 Bilhões de Outros" é uma sequência natural de outra realização de Yann Arthus-Betrand, um banco de dados com imagens do planeta visto do céu. A série, "A Terra Vista do Alto", virou livro. Com fotos tiradas de um helicóptero, ele foi publicado em 1999, atingindo a marca de 3 milhões de exemplares vendidos. O fotógrafo organizou, então, uma exposição com as melhores imagens, que passou por 100 cidades, atraindo a atenção de 100 milhões de visitantes, o que o incentivou a desenvolver o gigantesco projeto das 6 bilhões de almas que habitam o planeta.

Lançado em 2003, o projeto reuniu até o momento 5 mil depoimentos captados em 75 diferentes países, alguns escolhidos para o DVD triplo que ele lançou na França e será exibido na mostra do Masp. São pessoas comuns, que respondem a questões simples sobre suas lembranças de criança, seus sonhos e projetos futuros. Arthus-Bertrand acredita tanto no poder mobilizador desses depoimentos que até fundou, em 2005, uma organização filantrópica dedicada à promoção do desenvolvimento sustentável.

Ambientalista, o fotógrafo começou sua carreira no Quênia, no fim dos anos 1970, ao lado da mulher Anne. Ambos passavam horas observando leões e fotografando a vida dos felinos, retratados em seu primeiro livro, lançado há 30 anos. "Foi um pouco decepcionante, pois não conseguia me aproximar deles", lembra Arthus-Bertrand, contando que teve melhor sorte ao fotografar gorilas com a zoóloga americana Dian Fossey (1932-1985). Assassinada em sua cabana nas montanhas Virunga, em Ruanda, onde protegia os primatas da extinção, Dian virou lenda e teve sua vida contada no filme "Nas Montanhas dos Gorilas" (Gorillas in the Mist, 1988). "Sua morte me causou profunda comoção, ainda mais porque vi uma mulher sozinha, perseguida por caçadores e doente."

Dian Fossey, diz o fotógrafo, foi uma grande inspiração. O cinema também teve um papel importante em seus anos de formação. Adolescente, chegou a trabalhar como ator em um filme ao lado de Michèle Morgan ("Dis-moi qui tuer", 1965). Aos 20 anos, sua vida tomou outro rumo. Cuidando de uma reserva natural na França, descobriu que queria trabalhar com o meio ambiente. Seu compromisso não é só com a qualidade das fotos. Ele é da mesma natureza da militância ecológica de Dian. "Primeiro me interessei pela vida animal, a natureza; depois, pela humanidade." A técnica, diz ele, é secundária. Afinal, com câmeras digitais, a perfeição formal está ao alcance de todos. A moral é outra história. "Você precisa de talento para ver o que está à frente, essa obra de arte que é nosso planeta, beleza que poucos conseguem enxergar."

SERVIÇO
6 Bilhões de Outros
Masp (Avenida Paulista, 1.578)
Das 11h às 18h; quinta das 11h às 20h; fecha segunda
R$ 15 (terça grátis)
De 19/05 a 10/07

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