Escritor e diretor teatral estreia peça no Rio; leia entrevista ao iG

Conhecido escritor e jornalista, Marcelo Rubens Paiva é, também, diretor teatral. Ele acaba de estrear no Rio a peça "Deus É um DJ", adaptação do texto do autor alemão Falk Richter, estrelada por Marcos Damigo e Maria Ribeiro.

Filho do deputado Rubens Paiva , desaparecido em 1971 durante a ditadura militar, Marcelo ganhou notoriedade com a publicação de "Feliz Ano Velho", livro de 1982 em que narra o acidente que o deixou tetraplégico depois de bater a cabeça durante um mergulho. A obra ganhou um filme homônimo em 1987, assim como o romance "Malu de Bicicleta" em 2010.

O escritor concedeu por e-mail entrevista ao iG e falou sobre a preparação do espetáculo "Deus É um DJ", sobre a indicação de "Tropa de Elite 2" como representante do Brasil no Oscar 2012 e sobre Rafinha Bastos.

Marcos Damigo e Maria Ribeiro na peça
Divulgação/Vicente de Mello
Marcos Damigo e Maria Ribeiro na peça "Deus é um DJ", que tem direção de Marcelo Rubens Paiva
iG: Em entrevista ao iG durante o Festival de Paulínia você disse que dirigir é uma terapia coletiva. Como foi essa terapia em "Deus é um DJ"?
Marcelo Rubens Paiva:
Foram dois meses de convívio em que deixamos de lado mulheres, maridos, filhos, amigos, ficamos focados na peça. Rolaram risos, choros, trocas de confidências. Artista é muito sensível...

iG: Como é dirigir uma peça escrita por outra pessoa?
Marcelo Rubens Paiva
: Não é a primeira vez. No ano passado, dirigi "Lá Fora, Algum Pássaro Dá Bom Dia", da dramaturga paulista Priscila Nicolielo. Tem de entrar na cabeça do autor, imaginar o que ele quer, por que disse aquilo daquela maneira naquele momento.

iG: Foi trabalhoso adaptar o texto de Richter? Alguma mudança foi feita por se tratar de uma montagem para o público brasileiro?
Marcelo Rubens Paiva:
Nem precisamos adaptar, pois as referências que a peça traz, como [a cantora islandesa] Björk , o público brasileiro conhece.

Marcelo Rubens Paiva no Festival de Paulínia
Divulgação/Leandro Moraes
Marcelo Rubens Paiva no Festival de Paulínia
iG: A peça acontece em um cubo projetado pela arquiteta e cenógrafa Ana Kalil. Como é dirigir um espetáculo nesse espaço?
Marcelo Rubens Paiva
: Teatro é teatro, é um templo mágico. Quando se tem ator, texto, luz, música, palco, independentemente do formato, vira teatro assim que o público entra.

iG: Você escreverá para o cinema o roteiro da adaptação da peça "E aí, Comeu?". O que acha de ter Bruno Mazzeo e Marcos Palmeira no elenco?
Marcelo Rubens Paiva:
Sou amigo e fã deles há muito tempo. [São] Grandes atores que tenho certeza de que honrarão a peça, que foi um sucesso e me deu até o Prêmio Shell de melhor texto em 2000.

iG: Na entrevista ao iG você disse que não pretende voltar a trabalhar em TV. Por quê?
Marcelo Rubens Paiva:
Posso escrever para TV, mas não trabalhar na frente das câmeras ou como diretor, o que já fiz. É muito desgaste, muita pressão. Trabalho muito há 30 anos, desde os 21 anos de idade. Quero um pouco de sossego e ter tempo para assistir a mesas redondas de futebol, nadar, passear às tardes...

iG: Como você avalia o atual momento do cinema brasileiro?
Marcelo Rubens Paiva:
Há muita produção, muito interessante. Há mais filmes brasileiros em cartaz em São Paulo hoje do que estrangeiros. É claro que algumas pérolas aparecem.

Andrucha Waddington, Marcelo Rubens Paiva, Mauro Lima e Ricardo Waddington
George Magaraia
Andrucha Waddington, Marcelo Rubens Paiva, Mauro Lima e Ricardo Waddington
iG: Concordou com a indicação de "Tropa de Elite 2" para representar o País no Oscar?
Marcelo Rubens Paiva:
Claro. É o filme de maior bilheteria de todos os tempos no Brasil. E fala de corrupção.

iG: O politicamente correto é bom ou ruim para o humor?
Marcelo Rubens Paiva:
Não matará [o humor] nunca. Apenas prova que há limites.

iG: O que você acha do que ocorreu com o humorista Rafinha Bastos?
Marcelo Rubens Paiva:
Gostei da receita dele para o iG . Não fiz a receita, mas pretendo.

"Deus é um DJ"
Até 13 de novembro de 2011
Quinta a domingo, às 20h
Oi Futuro Flamengo – Cubo
Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3131-3060
Ingresso: R$ 15
Classificação etária: 16 anos

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