'Mad Men' não suaviza comportamento preconceituoso de seus personagens

Seriado começa sua quinta temporada nos EUA neste domingo, com episódio de duas horas de duração

The New York Times |

Não havia dúvida de que "Mad Men" iria abordar o movimento dos direitos civis. Desde o começo, racismo era o monóxido de carbono do programa: um veneno que não era sempre percebido devido ao pungente odor de cigarros, sexismo, anti-semitismo, alcoolismo, homofobia e adultério, mas que cedo ou tarde iria se tornar nocivo.

Essa promessa ocorreu na cena inicial do episódio de estreia da primeira temporada do seriado. A primeira face a aparecer na tela é a de um garçom negro, que carrega uma bandeja de coquetéis em um bar cheio de clientes, a maioria homens brancos. A câmera foca em Don Draper (Jon Hamm), que rascunha ideias em um guardanapo para uma campanha de uma marca de cigarros. Ao pedir um isqueiro, ele nota que um garçom, um idoso negro, fuma Old Gold, e Don pergunta por que ele é leal àquela marca.

Divulgação
Elenco principal da quinta temporada de "Mad Men"

"O Sam está te incomodando?", intervém um barman branco ante smesmo de o garçom falar alguma palavra. O barman dispara um olhar de repreensão ao garçom e diz a Don: "Ele gosta de conversar muito". Era o nascimento dos anos 1960, e esse tipo de humilhação era tão comum que Don e o garçom deram de ombros.

Leia também: "Mad Men" volta marcada por mudanças sociais e de gerações

"Mad Men" retorna ao canal AMC para sua quinta temporada neste domingo (com episódio de duas horas de duração), e os tempos mudaram - de novo. Negros estão protestanto nas ruas, pedindo melhores condições de emprego e oportunidades iguais. A receptividade daqueles que trabalham na Madison Avenue não é de muito apoio. Publicidade pode ser uma profissão cool que atrai pessoas sofisticadas e talentosas, mas algumas delas podem ser preconceituosas.

Siga o iG Cultura no Twitter

Divulgação
Jon Hamm como Don Draper
“Mad Men” diferencia-se por abordar não apenas o visual dos anos 1960, mas também suas atitudes que hoje não são aceitas. O criador da série, Matthew Weiner, encontrou uma maneira astuta, satírica para reviver as mais cruéis formas de sexismo e preconceito que eram usuais na época, mas hoje são cuidadosamente retocadas na televisão. Velhas atitudes, sobre raça em particular, são tão desagradáveis que exibi-las se tornou quase um tabu. Assim, a maioria dos shows refratam gestos repugnantes através de uma lente contemporânea, muitas vezes torcendo a realidade para mostrar a decência e a tolerância de um personagem.

Em "Mad Men", mesmo os caras legais têm péssimas atitudes. Roger Sterling (John Slattery) não se opõe aos direitos civis, eles é apenas automaticamente racista. Na quarta temporada, Roger procura arrumar uma amiga de sua mulher para Don durante o Dia de Ação de Graças. Don pergunta a Roger: "O que você precisa?". Roger responde: "Alguma mulher branca para cortar nosso peru".

É uma piada casual, mas que reverbera um pouco depois, quando Don está com uma mulher e ela menciona as mortes de Andrew Goodman e de dois outros ativistas de direitos civis no Mississippi.

"É isso o que se precisa fazer para mudar as coisas?", ela pergunta. Don está mais interessado no seu vestido do que em seu idealismo.

Leia também: Emmy bem distribuído consagra Modern Family e Mad Men

O desejo do seriado em colocar seus personagens no contexto dos tempos que lhe dá um caráter inovador e mantém esse drama, que ficou um pouco datado, ainda interessante de assistir.

As personalidades de "Mad Men" não mudam - o tempo sim. Nesse sentido, o contexto pode ser mais interessante do que os personagens.

    Leia tudo sobre: Mad Mentelevisãoseriadosérie de TV

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG