Zumbis estão vivos na cultura pop

Lançamento de enciclopédia sobre os monstros joga luz sobre a força do gênero

Guss de Lucca, iG São Paulo |

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Apesar da falta de sensualidade e distância do "mainstream", os zumbis já conquistaram seu espaço na mídia
Eles não possuem o refinamento dos vampiros, a sensualidade dos lobisomens ou a inteligência das bruxas, mas formaram um subgênero próprio dentro dos filmes de horror. E apesar do jeito trôpego de caminhar, ainda conseguem arrancar alguns sustos de boa parte das plateias dos cinemas.

Considerados por alguns como os primos pobres dos personagens de terror, os zumbis invadiram a cultura pop principalmente na última década e já são frequentadores assíduos de games, livros, séries de TV, histórias em quadrinhos e, obviamente, filmes.

"O que eu gosto nos zumbis é que eles são monstros muito versáteis. Eles significam coisas diferentes para diferentes culturas, podendo servir de metáforas para o colapso social, a morte, a vida após a morte, os trabalhadores capitalistas se revoltando contra o sistema, a AIDS e até o racismo", afirma o escritor britânico Jamie Russel, autor de "Zumbis: O Livro dos Mortos" e defensor ferrenho das criaturas - leia aqui entrevista com o autor .

De acordo com ele, o que impede os zumbis de se tornarem estrelas do primeiro escalão, como ocorreu com vampiros e lobisomens na saga "Crepúsculo", por exemplo, é a inabilidade de protagonizar com apelo pop as suas histórias - além da falta de sensualidade.

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Jesse Eisenberg em "Zumbilândia": filme mostrou que os zumbis podem render boas histórias e bilheterias
"Eles são criaturas subversivas e fazem parte de um gênero que se orgulha da luta contra o sistema. Zumbis são monstros niilistas - perfeitos para adolescentes, mas não o suficiente para serem aclamados pela mídia. Se zumbis fossem um gênero musical, eles seriam o gótico, o emo ou o heavy metal - mas definitivamente não a música pop", compara Jamie.

Além disso, a infinidade de filmes de baixo orçamento utilizando os mortos vivos ajudou a depreciá-los diante do "mainstream" por muito tempo. "Filmes sobre zumbis estão cheios de absurdos, alguns deles de forma mais escancarada, outros nem tanto. Eu vi um monte de produções baratas, filmes caseiros com cenários de papelão e custos baixíssimos de produção. Eles eram bem absurdos."

Mesmo assim, o retorno do "papa dos filmes de zumbis", George Romero, no início da última década, somado a uma leva de novos cineastas buscando por reinvenções do gênero, como Danny Boyle com "Extermínio", de 2002, e mais recentemente Ruben Fleischer em "Zumbilândia", de 2009, deram novo fôlego aos simpáticos devoradores de cérebros - o longa-metragem de Fleisher, por exemplo, teve custo de US$ 23 milhões (R$ 38 milhões) e arrecadou US$ 102 milhões (R$ 170 mihões).

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