Vencedora do Nobel cancela biografia por achar sua vida desinteressante
Primeira negra a receber o prêmio de literatura, escritora Toni Morrison revela desistência em discurso a estudantes
Primeira negra a receber o prêmio e última norte-americana laureada com a distinção, Morrison respondeu a pergunta de um estudante sobre a possibilidade de escrever sobre sua infância humilde na região.
"Meu editor me pediu para escrever [minha biografia], mas eu não acho que minha vida seja interessante para isso. Prefiro escrever ficção", disse a autora.
Nascida em 1931, na cidade de Lorain, em Ohio, a autora teve uma infância pobre como filha de um soldador. "Antes da Segunda Guerra começar meus pais tinha cada vez menos dinheiro, e seus conflitos eram os conflitos que os pobres têm", disse ela em entrevista ao jornal Guardian.
Apontada pelo The New York Times como "o nome mais próximo que a América tem de uma romancista nacional", Morrison ganhou o prêmio Pulitzer em 1987 pelo romance "Amada", história de uma ex-escrava atormentada pela perda de seu filho.
"As pessoas dizem que temos que escrever sobre aquilo que conhecemos. Estou aqui para dizer a vocês que ninguém quer ler sobre isso porque não sabemos nada. Então escreva sobre o que você não sabe. E nunca tenha medo", aconselhou Morrison aos estudantes.