Vargas Llosa ignora protestos e irá à feira do livro argentina

"Vou falar com a liberdade que sempre falei", afirma ganhador do Nobel, que também comparou Hugo Chávez a Muammar Kadhafi

iG São Paulo com AFP |

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, ganhador do prêmio Nobel de Literatura , confirmou na quarta-feira que viajará em abril para participar na Feira do Livro de Buenos Aires e se disse surpreso pela tentativa de um grupo de intelectuais argentinos de impedir que inaugure o evento.

"Aceitei o convite e, a não ser que o retirem, vou viajar e falar com a liberdade que sempre falei", afirmou o vencedor do Nobel de Literatura em uma entrevista ao canal CNN em Espanhol. "Se consideram que minha presença é incompatível com o querem que seja a feira, que me digam e não irei à feira. Mas, de toda forma, viajarei a Buenos Aires para ver meus amigos", completou.

Intelectuais ligados à presidente argentina, Cristina Kirchner, iniciaram uma campanha para impedir que Vargas Llosa inaugure a Feira do Livro, evento tradicional no calendário do país. Eles acusam o peruano de ser um "liberal autoritário". Um dos líderes dos protestos é o diretor da Biblioteca Nacional, o sociólogo Horacio González.

O escritor afirmou que o único veto que recebeu na Argentina foi o da ditadura militar, que proibiu livros como "Pantaleão e as visitadoras". Além disso, em um assunto correlato, Vargas Llosa comparou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao ditador líbio Muammar Kadhafi e aplaudiu as revoltas árabes, que para ele são "tão importantes como a queda do muro de Berlim".

"Chávez saiu em defesa de Kadhafi. Está dentro da lógica das coisas. Ele aspira ser um Kadhafi. Não chegou a ser, felizmente para a Venezuela", afirmou. Segundo ele, Chávez aspira "eternizar-se no poder". "A eternização no poder traz sempre corrupção e repressão. Felizmente os venezuelanos não deixam. Tenho esperança. Creio que a semiditadura de Chávez não vai durar muitos anos mais", completou o autor de "Conversa na Catedral".

O escritor criticou os governos ocidentais, para ele muito tolerantes com as ditaduras em função do petróleo, e pediu um apoio mais efetivo aos manifestantes.

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