Vargas Llosa descarta tentar de novo a Presidência do Peru

Vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2010 explica razões de candidatura em 1990

Reuters |

Futurapress
Mario Vargas Llosa: necessidade de participação política deveu-se a circunstâncias excepcionais
O vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa, disse na segunda-feira que não concorrerá novamente à Presidência peruana. Ele afirmou que sua candidatura em 1990 deveu-se a circunstâncias excepcionais.

Na capital sueca para receber seu prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,46 milhão de dólares), Vargas Llosa disse que fez frente a Alberto Fujimori há 20 anos porque a "democracia muito frágil do país estava estremecendo e a ponto de entrar em colapso".

"Tínhamos praticamente uma guerra civil...e tínhamos a hiper-inflação...Foi por causa dessas circunstâncias que tive a necessidade de participação política. Certamente não repetirei essa experiência", afirmou o escritor, um dos líderes do renascimento da literatura latino-americana nos anos 1960.

Vargas Llosa perdeu para Fujimori, que combateu a inflação e as guerrilhas maoístas do país, mas agora se encontra na prisão por desrespeito aos direitos humanos.

O autor de 74 anos disse esperar que a eleição presidencial peruana do ano que vem fortaleça a democracia e o Estado de direito e reforce a paz dos últimos anos. Partidário da esquerda na juventude, Vargas Llosa foi para o outro lado do espectro político ao longo da vida, enfurecendo boa parte da intelligentsia de esquerda da América Latina.

Falando por meio de um tradutor, ele afirmou que permanece liberal: "Sou totalmente contra todas as formas de autoritarismo e de totalitarismo".

O escritor fez sua estreia internacional nos anos 1960, com o romance "A Cidade e os Cachorros", sobre cadetes de uma academia militar de Lima. Muito de seu trabalho é baseado em sua experiência de vida no Peru no fim dos anos 1940 e nos anos 1950.

"O ponto de partida para todas as histórias são algumas experiências pessoais preservadas na minha memória e que despertam na minha imaginação o entusiasmo de fantasiar em torno delas", afirmou ele.

A Academia Sueca ressaltou sua "cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, a revolta e a derrota dos indivíduos". Vargas Llosa afirmou que vencer o prêmio foi um choque e, desde então, sua vida "entrou num turbilhão".

"Eu ainda me pergunto se ele é real ou é um tipo de equívoco universal", afirmou ele.

Ele citou o romancista francês Gustave Flaubert como o que mais o influenciou e disse que teria dado o prêmio Nobel de Literatura ao escritor argentino Jorge Luis Borges - depois de ressuscitá-lo, já que apenas os autores vivos podem ser honrados pelo Comitê do Nobel.

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