Uma infância entre bombas

Em ¿Minha Guerra Alheia¿, Marina Colasanti relata período da Segunda Guerra em que viveu em uma colônia italiana

Milly Lacombe, especial para o iG Cultura |

Divulgação
Capa de ¿Minha Guerra Alheia¿, de Marina Colasanti
Marina Colasanti nasceu em Asmara, na Eritrea africana, antiga colônia italiana, em 1937 e passou os primeiros dez anos de vida na Itália até se mudar para o Brasil. É esse o período que ela resgata nas 286 páginas de “Minha Guerra Alheia”.

Como o título sopra, a infância de Colasanti, ou esse primeiro período, se deu entre as bombas da Segunda Guerra que caíam sobre a pátria, e a narrativa não nos poupa da estupenda descrição da imagem da munição despencando dos céus sob o testemunho inocente da criança que ela era. Em poucas palavras, Colasanti pinta quadros tocantes e românticos de um período bélico e sangrento.

Mas é a relação com o pai, apaixonado por guerras e por Mussolini, que pontua o livro ao revelar a importância de Manfredo na vida e na formação da autora, que brinca poeticamente com as várias tramas do livro (guerra, infância, família) e suas subtramas (vida e morte, inocência e cinismo, a relação com o pai), deixando que todas elas se alternem em primeiro plano de forma rítmica.

O livro termina quando a pequena Marina se prepara para deixar a Itália e vir para o Brasil, momento da narrativa em que ela resgata de seus diários uma declaração de amor à nova pátria antes mesmo de chegar aqui – o que faz com que a declaração de amor seja, de fato, à paz. E tudo fica ainda mais poético.

A obra de Colasanti, premiada autora brasileira, engloba poesias, contos e contos infantis e juvenis.

Livro: "Minha Guerra Alheia" (Record, 286 páginas)
Autora: Marina Colasanti
Preço: R$39,00

Trecho: “Eu comecei a andar e, de repente, o chão tremeu debaixo dos meus pés. O chão tremeu e eu ouvia o estrondo das explosões, e desandei a correr, e via gente correndo ao meu redor mas só pensava em chegar em casa, e corria sobre aquele chão movediço, corria aos prantos, e se chamava por minha mãe era em silêncio porque não havia fôlego e eu precisava correr, atravessar a cidade, subir o caminho todo e não cair, não cair nas pedras, e chegar ao portãozinho de ferro, subir a escada e então, sim, gritar, gritar pela minha mãe, que ouvisse meu chamado acima das explosões e viesse me salvar”

Personagem: O pai, que ela chama no livro quase sempre pelo nome (Manfredo), um homem apaixonado por guerras e por Mussolini.

Velocidade da leitura: Duas tardes ou duas noites são suficientes para “Minha Guerra Alheia”. Pode ser facilmente saboreado antes de dormir, na cama, sem que haja risco de romper acordado noite adentro – está mais para uma confortante xícara de chá de camomila do que para uma de café; e cai bem depois de escurecer.

    Leia tudo sobre: Marina ColasantiMinha Guerra Alheia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG