Série de livros de fantasia de Pauline Alphen chega ao Brasil

Escritora brasileira que é sucesso na França lança primeiro volume de "Crônicas de Salicanda"

Agência Estado |

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Filha de alagoana e criada na França, Pauline Alphen já vendeu mais de 20 mil exemplares da série
Tem gente que passa a vida procurando o tema do livro que um dia talvez venha a escrever. Outros têm o tema e não saem do lugar. Mas tem gente que, como num passe de mágica, ganha um de presente e, de quebra, assunto para pelo menos cinco livros. Pauline Alphen não procurava nada. Só corria mal-humorada debaixo de chuva atrás do ônibus quando ganhou o seu. Era uma manhã de outono em Paris, ela tinha acabado de deixar o filho na creche e estava atrasada para o trabalho. Mesmo com tudo isso, pode reparar no pai que, do alto de um prédio, acompanhava a filha atravessar o pátio para encontrar o irmão gêmeo.

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De pé no ônibus, fez as primeiras anotações do que se tornaria, anos mais tarde, a série "Crônicas de Salicanda". "Foi como se eu tivesse aberto uma porta. Percebi que eu tinha puxado um fio de uma meada e que a história tinha várias possibilidades e era muito mais complexa", diz. Passou sete anos construindo o enredo, desenhando esquemas e criando os 31 personagens do primeiro volume – "Os Gêmeos", que a Companhia das Letras lança em 20 de janeiro.

Na França, a série vem sendo publicada pela Hachette, o sexto maior grupo editorial do mundo. Os dois primeiros volumes venderam, juntos, mais de 20 mil exemplares. O terceiro está programado para 2012.

Pauline nasceu no Rio de Janeiro, cresceu e foi alfabetizada na França, voltou ao Brasil no começo da adolescência e foi embora de novo depois da faculdade de jornalismo. A peregrinação talvez se deva ao longo processo de formação e identificação que a filha de uma alagoana e de um francês tem de passar.

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Capa do 1º volume da série "Crônicas de Salicanda"
Essa confusão linguística é vista também em sua obra. Quando estava aqui, e já alimentando o desejo de escrever, percebeu que seu português não era bom o suficiente e sabia que só seria lida se escrevesse na língua local. Começou então a ler Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Machado de Assis. Travou ainda mais. Seus primeiros livros só foram escritos quando ela já estava de volta a Paris – todos feitos em português e publicados pela Companhia das Letras.

Da França, os três personagens vistos naquela manhã foram transportados para a Floresta de Salicanda. O século 22 já tinha ficado para trás quando a história começa. Nenhuma cidade tinha sobrevivido à catástrofe causada pela sociedade tecnicizada. Algumas pessoas sim.

Jad é um garoto fraco que sofre com enxaquecas e pesadelos. Claris é uma menina que quer viver uma grande aventura, mas acha que este é um privilégio de meninos. Criados por uma empregada e um tutor, já que o pai se recolheu no alto de sua biblioteca em formato de farol quando a mulher desapareceu misteriosamente, os irmãos dividem sonhos, pensamentos e sensações. Há uma livraria chamada Aleph e o livreiro Borges. Há referências a Isabel Allende, a Goya e a Picasso. O cenário é um castelo. Há chuva incessante, animais que se comunicam com humanos, elfos, profecias e mundos paralelos. Quase todos têm dons parapsíquicos e uma missão no Jogo dos Mil Caminhos.

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