Saramago é homenageado em Portugal com lançamento de três livros

Viúva do escritor comenta os eventos que marcam o primeiro aniversário da morte do escritor

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Escritor português José Saramago
José Saramago, maior expoente da literatura portuguesa, será lembrado em seu país, pela ocasião do primeiro aniversário de sua morte, com a publicação de três novos livros conceitualmente diferentes e cujo denominador comum é a homenagem ao autor.

A viúva do escritor, a espanhola Pilar del Río, esteve presente nesta sexta-feira (17 de junho) na apresentação das três obras, realizada na Prefeitura de Lisboa, e aproveitou para repassar as atividades comemorativas previstas para este sábado, quando se completa um ano da morte do Nobel português em decorrência de uma leucemia crônica.

"É uma honra que um ano depois estejamos com o espírito ativo lembrando Saramago", afirmou Pilar, visivelmente emocionada durante seu discurso. O mais extenso e profundo dos livros lançados é "Palavras para José Saramago", uma compilação de "centenas" de textos escritos por jornalistas e críticos de todo o mundo nas horas e dias posteriores ao seu falecimento.

O editor português de Saramago, Zeferino Coelho, ressaltou que a reação no mundo todo após sua morte demonstra que foi "um escritor universal", que falava "para a humanidade inteira, (...) uma dimensão rara no caso de um escritor lusitano", considerou.

Já "O Silêncio da Água" é uma obra destinada ao público infantil que reúne através de ilustrações um fragmento de "As Pequenas Memórias", escrito em 2006, onde o português relembra a infância e a adolescência.

O terceiro dos novos livros publicados em Portugal é "A Última Entrevista de José Saramago", de José Rodrigues dos Santos. "É a única entrevista na qual fala de sua obra completa, desde o primeiro romance até o último", esclareceu Rodrigues, escritor de sucesso e popular jornalista da televisão pública portuguesa.

Durante a apresentação dos livros, Pilar afirmou que eventos como o nascimento do movimento cidadão de "indignados" e as revoluções pró-democracia no norte da África levaram muitos a se perguntar o que Saramago pensaria sobre os acontecimentos recentes.

"Não sabemos o que diria, mas o que já disse está em seus livros, nos textos do blog, em seu 'Ensaio sobre a Lucidez'", explicou a viúva, lembrando que no sábado estão previstas homenagens na Espanha, México e Itália, entre outros países. "Saramago nos deixou uma obra literária monumental, mas também um pensamento que, se o colocamos de pé, chega até as estrelas".

Nascido na aldeia portuguesa de Azinhaga em 1922, Saramago se tornou a maior figura da língua portuguesa contemporânea ao ganhar o Nobel de Literatura em 1998. Ficou conhecido também por seu ativismo político e envolvimento nas questões sociais.

No sábado, Lisboa estará mobilizada para homenagear o escritor com diferentes atos em vários pontos da capital, entre eles um show acompanhado da leitura de textos do autor no Centro Cultural de Belém. A homenagem mais importante, no entanto, será o enterro de suas cinzas junto a uma oliveira procedente de Azinhaga em frente à futura sede da Fundação José Saramago.

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