Romance de João Almino vence prêmio em Passo Fundo

Escritor e diplomata superou mais de 200 concorrentes e ganhou R$ 150 mil por "Cidade Livre", no Prêmio Zaffari & Bourbon

Agência Estado |

Divulgação
João Almino segura cheque do Prêmio Zaffari/Bourbon, em Passo Fundo
Ainda se ambientando a Madri, depois de três anos e meio como cônsul-geral em Chicago, o diplomata João Almino trocou nesta semana os 40ºC da cidade espanhola por dias gélidos em Passo Fundo (RS) , onde foi anunciada, na segunda-feira (22), sua vitória no 7º Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura, pelo romance "Cidade Livre" (Record).

Siga o iG Cultura no Twitter

Quinto livro de uma série que tem Brasília como pano de fundo, "Cidade Livre" seguiu uma tradição das obras anteriores do autor ao superar 227 outros romances na escolha do júri – dos cinco títulos de Almino que envolvem a capital federal, apenas o segundo, "Samba Enredo" (1994), não recebeu nenhuma honraria importante no País. Mas o Zaffari & Bourbon, como lembra, oferece hoje ao vencedor "o maior prêmio brasileiro não estatal", R$ 150 mil.

"Fico contente sobretudo porque estou em boa companhia. Aqueles que foram previamente premiados são todos bons escritores", diz, sobre nomes como Mia Couto e Cristovão Tezza. "Isso sem falar na minha concorrência nesta edição. Havia lido vários dos dez antes mesmo de serem finalistas, era muita coisa boa", comentou ontem pela manhã, durante entrevista coletiva na 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo fundo, o diplomata, reconhecido pelo apoio que dá à causa da literatura brasileira no exterior.

Divulgação
Capa do premiado "Cidade Livre"
Assim como na ficção, Almino tem várias passagens por Brasília – viveu na cidade por um período antes de cursar o Instituto Rio Branco e, depois, nas funções de diplomata. Descobriu no local uma cidade que serve também como metáfora. "Não é só uma cidade, é um projeto que acompanha toda a história do Brasil independente, associada a esse sonho de modernização."

Nascido na cidade norte-riograndense de Mossoró em 1950, dez anos antes da fundação de sua cidade-personagem, Almino disse que via desde o começo dois caminhos possíveis para sua ficção. A primeira era o regionalista, desde sempre alimentada pelas várias temporadas que passou no sertão do Ceará e pela leitura privilegiada que pôde fazer de romances como os de Graciliano Ramos na pequena biblioteca de seu pai. Mas sentiu que a segunda permitiria maior inovação.

As viagens são uma constante na vida e na obra de Almino. Nômade por gosto e por profissão, o escritor e diplomata inclusive fez das viagens elementos importantes de seu quinteto de Brasília, que em alguns casos torna-se apenas ponto de passagem de personagens em deslocamento. E serão elas, também, o mote do livro que ele agora escreve. Neste caso, diz ele, o protagonista "já saiu, começa viajando".

    Leia tudo sobre: joão alminocidade livreprêmio zaffaripasso fundo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG