Ficção cômica "Solar" conta a história de cientista cinquentão que se apropria do projeto de outro físico

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Ian McEwan: interesse na natureza humana
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Ian McEwan: interesse na natureza humana
De todas as honrarias que o britânico Ian McEwan recebeu ao longo da vida, a mais inesperada veio no ano passado. Pelo romance "Solar", que chega às livrarias brasileiras no próximo dia 6, o escritor de 62 anos levou o prêmio de ficção cômica Bollinger Everyman Wodehouse - o que lhe garantiu como troféus uma caixa de champanhe e um porco, devidamente batizado de Solar. "O porco eu tive que devolver depois", conta McEwan, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, "mas é sempre bom ganhar um prêmio".

Conhecido por sua literatura séria - incluindo o romance "Amsterdã", que lhe valeu o Booker Prize em 1998 -, o autor de "Sábado" e "Reparação" causou surpresa ao escrever uma obra sobre tema atual e relevante, o aquecimento global, mas na qual o humor é central. Na trama, um cientista cinquentão, Michael Beard, não faz nada além de colher os louros de um Prêmio Nobel recebido décadas antes, até que lhe cai em mãos (e ele assume como próprio) o projeto de outro físico de aproveitar a energia solar por meio de fotossíntese artificial.

Questionado se o romance poderia fazer as pessoas pensarem sobre as questões climáticas, McEwan disse que pode ajudar a refletir, não a solucionar. "Pode nos mostrar como somos. Meu interesse é na natureza humana, homens lidando com questões que vão contra a sua natureza. Buscar soluções para o aquecimento global nos obriga a pensar a longo prazo, a fazer favores a pessoas que nunca vamos conhecer, a cooperar com outras ao redor do mundo. Isso exige altruísmo, o que vai contra nossa natureza. O que o romance pode fazer é ajudar a refletir sobre a complexidade da natureza humana". McEwan, atração da Flip de 2004, diz que deve voltar ao Brasil em dezembro por conta do lançamento de "Solar".

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