Na Argentina, Patriota critica 'censura' a livros de Paulo Coelho

Visita à Argentina foi a primeira de Antonio Patriota como ministro das Relações Exteriores

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O escritor Paulo Coelho: livros do brasileiro foram proibidos recentemente pelo governo do Irã
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, criticou nesta terça-feira o que classificou como "censura" aos livros do escritor Paulo Coelho no Irã e disse que entrou em contato com a embaixada do Brasil em Teerã para "apurar exatamente a medida tomada".

O suposto banimento às obras de Coelho no país persa foi anunciado pelo próprio escritor, em seu blog, na última segunda-feira. Segundo o editor de Coelho, o veto ocorreu sem justificativa. "Faço minhas as palavras da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, que (se disse) contra a censura e a favor da liberdade de expressão, como também foi mencionado pela presidente Dilma (Rousseff) em seu discurso de posse. E voltaremos ao assunto quando tivermos mais elementos", afirmou Patriota.

As declarações do chanceler foram feitas durante entrevista a jornalistas brasileiros, na embaixada do Brasil em Buenos Aires, no encerramento de sua primeira viagem ao exterior como ministro de Relações Exteriores do governo Dilma. Questionado sobre a acusação de emissão de passaportes diplomáticos para os filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Patriota disse que o Itamaraty está "examinando a situação como um todo".

Segundo ele, trata-se de uma "medida tomada pela administração anterior". "Não tenho nada a acrescentar, por enquanto", disse.

WikiLeaks

O ministro brasileiro reconheceu que foi feito acordo, no governo anterior, entre Brasil e Estados Unidos para "disseminar" o etanol e que este acordo excluía os países da América do Sul. Segundo ele, o entendimento foi feito em 2006 e não teria envolvido a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O acordo entre Brasil e Estados Unidos, firmado em 2007 para promover o etanol, foi revelado por documento vazado pelo site WikiLeaks. O documento dizia que o Itamaraty vetara a inclusão de Bolívia e Colômbia no projeto de cooperação. "De fato, houve entendimento entre Brasil e Estados Unidos de que na América do Sul (e não só Bolívia e Colômbia) não trabalharíamos (promovendo o etanol), porque na América do Sul temos outros mecanismos de integração. E o relacionamento já feito com todos os países vizinhos dispensa essa cooperação", disse.

Patriota afirmou que, na ocasião, o entendimento era de promover o etanol em economias pequenas, como El Salvador, Guatemala, Jamaica, República Dominicana, Haiti, Senegal e Guiné-Bissau. O chanceler afirmou que a produção de etanol e biocombustíveis será abordada por Dilma em sua visita a Buenos Aires, no dia 31 de janeiro, sua primeira viagem internacional após assumir a cadeira presidencial. "Há interesse da Argentina e do Brasil, grandes produtores de etanol e de biodiesel, de intensificar essa cooperação", afirmou Patriota.

Viagens de Dilma

Segundo o chanceler, a previsão é de que a presidenta se reúna com a colega argentina, Cristina Kirchner, além de vários ministros e ONGs do país vizinho. A agenda incluiria reunião da presidente brasileira com a entidade Mães da Praça de Maio, que reúne as mães de desaparecidos políticos durante a ditadura argentina (1976-1983).

A agenda de viagens internacionais de Dilma Rousseff inclui, como confirmou Patriota, viagem no mesmo dia 31 à capital uruguaia, Montevidéu, onde jantará com o presidente uruguaio, José Mujica. A previsão é de que Dilma retorne a Brasília no mesmo dia, para acompanhar a abertura do ano legislativo, no dia seguinte.

Em 16 de fevereiro ela estará em Lima, Peru, para a reunião entre países árabes e da América do Sul. Está sendo avaliada a possibilidade de a presidente visitar o Paraguai no dia 26 de março, para as comemorações dos 20 anos do Mercosul.

A presidenta já confirmou presença na China, em 13 de abril, para uma reunião bilateral e para participar do encontro do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Ainda não foi definida a data da viagem para os Estados Unidos que, segundo Patriota, ocorrerá depois da viagem a Pequim.

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