Morango Sardento defende o diferente

O primeiro livro da atriz Julianne Moore é um auto-retrato bem-humorado

Isabelle Mani, iG São Paulo |

Getty Images
Julianne Moore ao natural: sardas meio disfarçadas, ruivice dominante
Chega ao país, com três anos atraso, o livro de estreia da atriz Julianne Moore, Morango Sardento . A obra, voltada para o público infantil, é um auto-retrato bem-humorado da autora, que batizou a personagem principal com o apelido que tinha na infância: “Era o nome de um suco instantâneo em pó da época. Eu achava o apelido muito humilhante, detestava. Quando cresci mudei de ideia, e comecei a achar o nome até fofo”, conta ela. Na versão brasileira, lançada no País pela Cosac Naify, a tradução ficou a cargo de Fernanda Torres. Deborah Bloch, ela mesma um Morango Sardento , assina o texto da quarta capa.

A protagonista desta história é uma menina de sete anos, Morango Sardento, que detesta ter os cabelos vermelhos e, muito pior, o corpo cheios de sardas. Sem entender de onde as sardas vieram (só ela tinha na família) e o porquê das pessoas sempre terem algum um comentário a fazer sobre elas (“você é igual a uma girafa”), Morango Sardento passa a tentar se livrar das marquinhas com todas as suas forças. Algumas de suas estratégias são esfregar a pele com um escovão e passar tinta no rosto. Como nada dá certo, Morango Sardento começa a sair de casa com um capuz que só deixa os olhos a mostra e muitas roupas para esconder todas as suas “inimigas”.

É com muita leveza e rindo de si mesma que Moore tenta mostrar às crianças o caminho para a auto-aceitação, o que, segundo a autora, é a fonte da felicidade na vida dos pequenos. “Quem liga para um milhão de sardas quando se tem um milhão de amigos?”, conclui a ruivinha na história, ilustrada com humor por LeUyen Pahm, artista vietnamita radicada nos Estados Unidos.

Mesmo assim, a atriz conta que até pouco tempo teve dificuldades para aceitar seus traços de Morango Sardento : “Se você perguntar a qualquer ruiva se ela gostaria de ter cabelos loiros ou castanhos, com certeza ela lhe responderá que sim. Eu ainda não gostaria de ter sardas, mas me habituei completamente a ser ruiva. Eu pintei de loiro para um papel e fiquei desorientada, foi quando finalmente percebi que me identifico como ruiva”.

Divulgação
Uma das ótimas ilustrações de LeUyen Pham para Morango Sardento
Fernando Meirelles, diretor do filme em questão, Ensaio sobre a Cegueira , diz que a ideia da mudança foi da atriz: “Antes de filmar Ensaio... eu sempre a via como aquela ruiva que eu havia conhecido, mas no dia que a reencontrei em Toronto ela me viu e ao invés de dizer bom dia disse: "Surprise!". Ela havia tingido por conta própria. Tomei um choque inicialmente, mas depois gostei. Ela é pálida, com o cabelo claro ficou mais pálida e branca ainda, acabamos colocando umas roupas claras e ela virou uma espécie de anjo. Porém, eu particularmente adoro as ruivas...”.

Em 2009, Moore lançou outro livro sobre a personagem, Freckeface and the Dodgball Bully , que pode ser traduzido como “Morango Sardento e o Valentão da Queimada”, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.

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