Mona Dorf no lugar do entrevistado

Na semana de lançamento de "Autores e Ideias", jornalista responde perguntas feitas por ela no livro de entrevistas

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Divulgação
Capa de "Autores e Ideias", de Mona Dorf
A jornalista e colunista do iG Mona Dorf lançou nesta semana o livro "Autores e Ideias", um verdadeiro painel do que é a literatura brasileira hoje extraído das mais de 500 entrevistas feitas por ela no programa "Letras e Leituras", da rádio Eldorado, em São Paulo.

Utilizando a máxima do "feitiço contra o feiticeiro", propomos à jornalista um jogo rápido de perguntas e respostas ao molde dos feitos por ela com entrevistados ilustres, como João Ubaldo Ribeiro, Ruy Castro e Ignácio de Loyola Brandão.

iG: Quais suas influências?
Mona Dorf: Estudei numa escola francesa. Mais do que literatura em língua portuguesa, éramos obrigados a ler os clássicos da literatura e filosófica francesa. O que foi maravilhoso, um privilégio. Vou citar os nomes que realmente me influenciaram com suas obras: Victor Hugo, Flaubert, Balzac, Zola, Camus, Molière, Montaigne, Diderot, Jean Paul Sartre e Levi Strauss.

iG: Uma leitura recente:
Mona Dorf: "O Espalhador de Passarinhos e outras crônicas", de Humberto Werneck. Adorei! Além de escrever muito bem, a vivência de Werneck como jornalista é fantástica. Ele conta vários bastidores de reportagens com um texto de fazer inveja e muito bom humor.

iG: Próxima leitura:
Mona Dorf: Reler (eu gosto muito de reler) as biografias de Clarice, de Bejamim Moser e Nadia Gotlib, pois vou mediar a mesa que abre a Fliporto, em Olinda, com os dois.

iG: Livro de cabeceira:
Mona Dorf: Costumo variá-los, de acordo com a leitura do momento. Atualmente os "Salmos" me acompanham

iG: Não pode faltar na estante de um estudante de jornalismo:
Mona Dorf: Qualquer livro de Gay Talese, o papa do New Journalism. De preferência, "O Reino e o Poder", sobre o New York Times. E também "Notícias no Planalto", de Mario Sergio Conti.

Livro da infância:
"Os Contos de Andersen", e depois os da Mitologia Grega, da "Ilíada" e "Odisséia".

iG: Autor que você mais leu e por quê:
Mona Dorf: Honoré de Balzac, que retrata em seus livros a burguesia em ascensão na França e a decadência da nobreza. A descrição daquela sociedade é perfeita, o que ele fala da ambição, inveja, amores e traição vale inclusive para os dias de hoje. Os livros formam um vasto conjunto que ele chamou de "A Comédia Humana". Tenho esse amor por Balzac em comum com outro escritor brasileiro que gosto muito, o Luiz Ruffato, que está trançando um painel incrível da classe operária, formada à partir da indústria automobilística, em Cataguases. Leio e releio Balzac. Gosto muito, como eu disse, das descrições, dos movimentos, ações, intrigas e, sobretudo, das características do ser humano. Quando ele descreve em "Ilusões perdidas" o mundo dos livreiros, pretensos poetas, gráficos etc, não é muito diferente do que se passa hoje no mercado editorial! Ou no livro "Pai Goriot", um sujeito avaro, ou o primo Pons, um colecionador de arte que acumula quadros, centenas de obras, sem nenhum sentido, pra depois de sua morte a família disputar sua herança, é perfeito. Hoje penso que li tanto Balzac porque já nascia alí em mim o embrião da jornalista que gosta tanto de gente.

iG: Literatura para os tempos de hoje:
Mona Dorf: "Lulismo no Poder", do jornalista Merval Pereira (sobre o que vivemos); "Convém Sonhar", de Miriam Leitão (sobre os planos econômicos dos últimos 30 anos no Brasil); "Copenhage: antes e depois", de Sérgio Abranches (sobre todas as questões do COP 15 e as mudanças climáticas); e "O Mundo é Plano", de Thomas Friedman (sobre a revolução nos negócios, no exército, na medicina e os ganhos em sinergia, rapidez e comunicação causados pela internet).

iG: Uma descoberta recente:
Mona Dorf: A nova geração de talentos: Daniel Galera, Vanessa Barbara, Marçal Aquino, Carola Saavedra, Ivana Arruda, Andrea Del Fuego, João Carrascoza e Marcelino Freire.

iG: Biblioteca básica:
Mona Dorf: Além dos que já citei aqui: Machado, Guimarães, Bernardo Carvalho, Erico Veríssimo
Phillip Roth e Amos oz.

iG: Livro que um amigo leu:
Mona Dorf: Perguntei ao Jorge Félix, do Poder Online, e ele me respondeu: "Acabei de ler 'A questão dos livros', do Robert Darnton, grande intelectual. Ele tem vários livros traduzidos aqui e, como negociou com o Google a venda dos direitos de todo o acervo da Biblioteca da Universidade de Harvard, tem uma ótima visão do embate sobre os direitos autorais na era digital e esclarece sobre o grande negócio por trás dos livros, que estão longe, segundo ele, de morrer com a internet. Como foi repórter de polícia na juventude, Darnton faz perfeitamente a intersecção das novas mídias com o desafio de fazer jornalismo em tempos de web. Sua análise do tempo real, do que passa a ser notícia nesta fase de jornalismo de multidão é primorosa e qualquer jornalista aprende muito com a leitura."

iG: Uma frase:
Mona Dorf: A mais presente atualmente na minha mente: “O senhor é meu pastor e nada me faltará”.

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