Mario Vargas Llosa é uma zebra justíssima

Escritor peruano recebeu a notícia da vitória por telefone, como sempre acontece

Milly Lacombe, especial para o iG Cultura |

AP
Mario Vargas Llosa: ele merecia vencer
O peruano Mario Vargas Llosa estava em Nova York na manhã desta quinta feira quando recebeu o telefonema da academia sueca avisando que o Nobel de Literatura era dele. É assim que os vencedores são avisados pela academia: por telefone. E Llosa, é bastante provável, não esperava a ligação.

Não seria exagero dizer que sua vitória foi uma zebra. Uma zebra, é verdade, que merecia vencer – Llosa está no radar mundial da literatura desde 1960, quando publicou “A Cidade e os Cachorros”, sobre sua experiência militar. Na época, o livro foi rejeitado em sua terra natal por ser considerado polêmico e algumas cópias chegaram a ser queimadas.

Com a indicação, Llosa se torna o primeiro sul-americano, desde a vitória de Gabriel Garcia Marquez em 1982, a ganhar um Nobel de Literatura – e faturar o prêmio de 1,5 milhão de dólares que vem com ele.

Mas durante os últimos dias, como já se tornou um hábito antes da divulgação do vencedor de um Nobel, as casas de apostas europeias especulavam dezenas de nomes e o de Llosa nem aparecia na lista, que talvez tenha se baseado muito nos últimos seis anos, quando a Academia premiou cinco europeus e um turco (a alemã Herta Mueller venceu no ano passado). Os mais apostados eram o poeta sueco Thomas Transtromer, o ensaísta polonês Adam Zagajewski e o poeta sul-coreano Ko un.

Peter Englund, secretário da academia, disse sobre Llosa que ele é um talentoso contador de histórias, que sua escrita toca o leitor e que recebeu a notícia hoje, por telefone, com extrema felicidade e comoção (Llosa está em Nova York este semestre lecionando literatura na Universidade de Princeton, em Nova Jersey).

Com mais de 30 romances, Llosa mora hoje em Madri com a mulher, e dedica boa parte de seu tempo lecionando literatura em universidades pelo mundo. Apaixonado por política, em 1990 chegou a concorrer com Alberto Fujimori para Presidente do Peru, e perdeu.

Mas sua passagem pela cena política peruana foi marcante. Nos anos 80, com a reputação consolidada depois de publicar uma série de aclamados romances, resolveu mergulhar na política. Deixou para trás o marxismo que defendia na juventude e aceitou ser apresentador de um talk-show na TV nacional, recusando, em 1984, convite para ser primeiro-ministro do governo de Balaúnde Terry (1980-1984).

Foi às ruas contra o projeto de nacionalização do sistema financeiro peruano, discursando em Lima para mais de 120 mil pessoas. Durante o período em que foi candidato a presidente, disse ter recebido ameaças de morte e, por isso, horas depois de saber que havia perdido para Fujimori, deixou o Peru e foi morar na Espanha. Hoje, é cidadão espanhol. “Na América Latina, preferimos promessas à realidade”, disse na época.

O próximo Nobel a ser divulgado é o da paz, nesta sexta-feira. A cerimônia de condecoração será no dia 10 de dezembro, data de aniversário de Alfred Nobel, sueco que inventou a dinamite e em homenagem a quem o prêmio foi criado.

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