Marc Levy: "Tenho sorte de fazer sucesso com meus livros"

Autor vem ao Brasil lançar “Tudo Aquilo que Nunca Foi Dito”, romance sobre a relação de pai e filha

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Marc Levy domina as letras. Mas são os números que representam o sucesso de sua escrita. É o autor francês mais lido da atualidade. O que significa quase 23 milhões de livros vendidos até o momento. Fenômeno absoluto de vendas no mundo, já foi traduzido em 43 línguas. “Sérvio foi o último idioma a se juntar a nós”, diz, orgulhoso do feito.

O escritor confirmou presença na Bienal do Rio, que acontece até o dia 11 de setembro, para autografar seu novo romance “Tudo Aquilo que Nunca Foi Dito” (ed. Suma de Letras). É dele também o “E Se Fosse Verdade?”, adaptado ao cinema e estrelado por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo.

Em seu novo livro, sobre o relacionamento entre um pai e uma filha em descompasso, Levy – pai de um menino - coloca em foco o papel da paternidade. Em entrevista ao iG , ele mostra este seu lado mais íntimo. Foi por causa do seu filho que começou a escrever. Também por causa dele se mudou para Londres e depois para Nova York.

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Marc Levy lança no Brasil "Tudo aquilo que não foi dito"


iG: “Tudo Aquilo que Nunca Foi Dito” é baseado na relação entre pai e filha. O que o motivou para escrever este livro?
MARC LEVY:
O que me fez querer escrever esta história é tratar uma verdade universal: cada criança perde algo de seus pais, e todos os pais se sentem perdendo algo de seus filhos. Podemos nos comunicar com o mundo inteiro por e-mail, mas nos esquecemos de dizer pessoalmente coisas importantes para nossos entes queridos. A motivação de Anthony, o pai, é voltar ao seu grande amor: sua filha. É muito doloroso perder alguém, se você não tem um bom relacionamento com seu filho.

iG: Como você analisa o papel do homem na criação dos filhos nos dias atuais?
MARC LEVY:
Somos o que somos, em parte, pelos relacionamentos com nossos pais. Nos últimos vinte anos houve importantes mudanças na paternidade e seus respectivos papéis na educação dos filhos. Há mais pais ficando em casa do que antes. É maior a chance de encontrar um pai trocando fraldas e ajudando nos trabalhos de casa. Nem sempre é fácil para o homem moderno. Ele tem que fazer malabarismos com seus muitos papéis. Mas, veja bem, assim como as mulheres modernas.

iG: Como é sua relação com seu filho? Vocês moram juntos?
MARC LEVY:
Eu me mudei para Londres quando meu filho Louis era criança, para lhe dar uma educação anglo-saxônica. Queria que ele aprendesse inglês. Quando Louis foi para os Estados Unidos para estudar, fui junto. Estamos sempre perto. Era meu sonho viver em Nova York e, em particular, em Greenwich Village. Louis vive nas proximidades enquanto estuda cinema. Sou um grande fã do seu trabalho. Adorei o último curta que ele fez.

iG: São mais de 23 milhões de livros vendidos e traduzidos em 42 línguas...
MARC LEVY:
Na verdade, estamos agora em 24 milhões e 43 línguas. Sérvio foi o último idioma a se juntar a nós!

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Capa do livro
iG:A responsabilidade do sucesso atrapalha a criatividade?
MARC LEVY:
Sinto-me surpreso, culpado, envergonhado e feliz com meu sucesso. Nos últimos 11 anos, meus livros foram os mais vendidos na França. Mas não acho que eles foram necessariamente os melhores livros publicados. Sinto que muito disso é sorte. E trabalho muito para merecer essa sorte que a vida tem me dado.

iG: Seus livros têm, em comum, enredos tocantes e narrados com simplicidade. Estaria aí o segredo para ser tão lido no mundo?
MARC LEVY:
Meus livros falam com todos. Quero que os leitores se identifiquem com meus personagens, sejam eles moradores de Hanói, Paris ou Buenos Aires. Tento evitar escrever sobre o tipo de pessoa que não gostaria de encontrar na vida real, escrevo sobre pessoas com as quais adoraria passar meu tempo.

iG: Você começou a escrever “E Se Fosse Verdade?” com o intuito de que seu filho lesse seu livro quando chegasse à idade adulta. Ele já o leu?
MARC LEVY:
Bem, ameacei privá-lo de comida e água se ele não me lesse ( risos ) Piadas à parte, ele o leu quando tinha cerca de 11 anos e disse que gostou.

iG: “E Se Fosse Verdade?” foi adaptado para o cinema, estrelado por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo. Como foi ver personagens criados para um livro ganhando a versão em imagens?
MARC LEVY:
Foi uma loucura! Em um minuto eu estava escrevendo meu livro e trabalhando em Paris, no momento seguinte estava em conferência com Steven Spielberg e voando ao encontro de roteiristas e produtores em Las Vegas. Amo filmes e foi gratificante ver meu trabalho adaptado às telonas.

iG: Interferiu no roteiro ou na produção?
MARC LEVY:
Meus personagens são definitivamente independentes. Isso é a parte da diversão. É como ser um pai, você criar um filho, tentar transmitir valores e interesses. Mas no final eles são eles mesmos.

iG: A França abriu recentemente discussão sobre a proibição do uso de véus e símbolos religiosos. Como você se posiciona?
MARC LEVY:
Escolhi viver em Nova York, por amar viver em uma sociedade multiétnica, onde todas as comunidades convivem sem ter que se reduzir a uma única identidade. Não concordo com movimentos que tentam impor uniformidade aos cidadãos e excluir diferenças. Ainda assim, sou contra o véu porque, aos meus olhos, não é um sinal de religião, mas de fanatismo.

iG: Por já ter morado em Londres, como analisa os últimos acontecimentos na periferia da cidade?
MARC LEVY
: Não estou mais morando em Londres e, assim como o resto do mundo, assisti a esses tristes acontecimentos de longe. Eles aconteceram na França há alguns anos... E, infelizmente, podem acontecer em qualquer lugar onde o fosso entre ricos e pobres é gritante e onde tenha comunidades que se sintam excluídas.

iG: Participar de redes sociais contribui, de alguma maneira, para seu trabalho como escritor?
MARC LEVY
: Sim, eu tenho uma página no Facebook e um “slog”. Não é um site, não é blog, mas um “slog” (o endereço é www.marclevy.info). Onde posso me comunicar com meus fãs. Assim asseguro a minha correspondência a mim mesmo. Gosto de estar em contato direto com meus leitores.

iG: Já trabalha em um próximo livro?
MARC LEVY:
Meu novo romance “The Strange Journey of Mr. Daldry”, por enquanto só publicado na França, tem me feito viajar direto pelo país. Por isso tenho estado na estrada e não comecei a escrever nada ainda. Normalmente moro com meus personagens na minha cabeça, pensando em suas histórias cerca de sete meses antes mesmo de começar a escrever.

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