Maratona marca sétimo dia da morte de Saramago

Viúva e amigos lêem romance no local da fundação onde serão depositadas as cinzas do autor

EFE |

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O escritor português José Saramago, morto há uma semana
As cinzas do Nobel de literatura português José Saramago permanecerão em um jardim em frente da fundação do escritor em Lisboa, na Casa dos Bicos, segundo anunciou hoje o prefeito da cidade, Antonio Costa. O prefeito deu a notícia no início de uma maratona de leitura do romance O Ano da Morte de Ricardo Reis , realizada hoje na capital portuguesa, e detalhou que as cinzas serão enterradas ao lado de uma oliveira centenária de Azinhaga, aldeia natal do escritor.

Costa acrescentou que na pedra será gravada a frase "mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia" que faz parte do romance Memorial do Convento . O material da lápide virá da região de Pêro Pinheiro (em Sintra, a 30 quilômetros de Lisboa), região da qual saiu a pedra para a construção do Palácio Convento de Mafra ao que se refere o romance.

A viúva de Saramago, Pilar del Río, iniciou a maratona de leitura na Casa Fernando Pessoa diante de mais de uma centena de pessoas, uma semana depois da morte do escritor. A diretora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, indicou que a atividade nasceu de um impulso que sentiu para assinalar o sétimo dia da morte de Saramago. "Habitualmente o sétimo dia da morte das pessoas é marcado por uma missa, mas como Saramago não era católico, achei que a melhor forma de homenageá-lo era lendo sua obra", acrescentou Pedrosa.

Está previsto que a leitura das 582 páginas de O Ano da Morte de Ricardo Reis continue até 2h do sábado (22h de sexta-feira em Brasília). Na maratona colaborarão personalidades da cultura portuguesa e escritores como Gonçalo M. Tavares, António Mega Ferreira e Leonor Xavier.

José Saramago morreu há uma semana na localidade de Tías (ilha espanhola de Lanzarote), aos 87 anos, e foi repatriado no sábado a Lisboa, onde recebeu a homenagem de milhares de portugueses na prefeitura da cidade. No domingo o escritor foi cremado no cemitério do Alto de São João de Lisboa após ter recebido as honras fúnebres das autoridades do Governo português, assim como da primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, e inúmeros amigos e intelectuais dos dois países.

A fundação do prêmio Nobel em Lisboa ficará na histórica Casa dos Bicos – atualmente em reformas – que data do século 16. O prédio foi destruído pelo terremoto de Lisboa de 1755, reconstruído em 1983 e é conhecido pela fachada original, revestida de pedras em forma piramidal e com janelas de estilo manuelino.

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