Livro de García Márquez reúne discursos de alguém que os odeia

"Yo no vengo a decir un discurso" será lançado nessa sexta-feira na Espanha e América Latina

AFP |

Divulgação
Capa do livro "Yo no vengo a decir un discurso"
O novo livro de Gabriel García Márquez que começará a circular simultaneamente na Espanha e América Latina na sexta-feira reúne discursos fundamentais de um homem que odeia falar em público, disse nesta quinta-feira o editor durante a apresentação da obra, no México.

O livro "Yo no vengo a decir un discurso" ("Eu não venho fazer um discurso", em tradução livre) recolhe 22 textos escritos pelo prêmio Nobel de literatura (1982), começando pelo que pronunciou em 1944 na despedida de curso de sua escola e terminando com o pronunciado em 2007 para inaugurar o IV Congresso da língua espanhola.

"É um complemento indispensável da obra de García Márquez. Ele é um homem que odeia fazer discursos, mas aqui estão contidas peças que refletem a essência do que é, de suas paixões literárias e políticas, e seus amigos", afirmou em uma coletiva de imprensa o editor Cristóbal Pera.

"Ele sempre resistiu ao gênero do discurso, como parte de sua rejeição à formalidade. Mas foi a partir da conquista do Nobel, quando teve que pronunciar um para recebê-lo, que aceita fazê-los e põe neles todas as suas obsessões", explicou.

O escritor colombiano, cuja última aparição pública foi há duas semanas na capital mexicana como convidado do casamento do filho do magnata Carlos Slim, não assistiu à apresentação do livro, realizada no forum central de multieventos Polyforum Siqueiros.

Mas o editor disse que o Nobel segue trabalhando ativamente e que já terminou o que deve ser seu próximo romance, "En agosto nos vemos", ainda que não haja uma data definida para sua publicação.

"Está tão bem como pode estar um homem de 83 anos que saiu invicto de sua batalha contra o câncer", afirmou Pera. O editor também revelou que García Márques se envolveu por um ano e meio na compilação de seus discursos e que, inclusive, modificou os títulos de seis deles, além de definir a capa do livro.

"Originalmente teria um beija-flor (na capa), mas ele quis que fosse um papagaio porque foi um animal muito importante em sua vida. De fato, ele acredita que sempre teve papagaios em casa", disse.

Este novo volume é o primeiro livro do escritor colombiano desde "Memórias de minhas putas tristes" (2004).

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