iG Recomenda: Esqueleto na Lagoa Verde

Livro reportagem de Antonio Callado de 1953 conta a história de explorador britânico desaparecido no Brasil

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Reprodução
Capa do livro Esqueleto na Lagoa Verde , de Antonio Callado
O coronel Percival Harrison Fawcett foi um arqueólogo britânico que desapareceu no interior do Brasil em 1925, quando procurava uma cidade perdida no interior do país. Sua história serviu de inspiração para uma infinidade de obras, desde o livro O Mundo Perdido , de Arthur Conan Doyle, até as aventuras do Indiana Jones de Steven Spielberg e George Lucas.

Também rendeu um clássico do jornalismo brasileiro: Esqueleto da Lagoa Verde , livro reportagem de Antonio Callado publicado em 1953 e que acaba de ser reeditado pela editora Companhia das Letras, dentro da coleção Jornalismo Literário.

Callado havia participado de uma expedição a um dos afluentes do Rio Xingu, no Mato Grosso, um ano antes, como parte de uma comitiva de jornalistas bancada por Assis Chateaubriand. Na época, trabalhava no Correio da Manhã, jornal concorrente dos Diários Associados de Chatô.

O motivo da viagem: uma ossada que seria de Fawcett, encontrada em 1951. Índios calapalo haviam contado ao sertanista Orlando Villas Boas que, anos antes, três exploradores haviam sido mortos na região. O número de pessoas e a região em que os assassinatos ocorreram batiam com o que se sabia do desaparecimento de Fawcett.

Quando a comitiva chegou ao local, já se sabia que muito provavelmente a ossada não era de Fawcett. Exames comprovaram que os restos eram de um homem com pouco menos de 1,70m, e sabia-se que o explorador inglês tinha mais de 1,80m. O mistério, portanto, continuava.

O livro de Callado, é bom frisar, não encontrou a solução. Um defeito? Pelo contrário, essa é a maior qualidade da reportagem. O autor encara tudo o que se "sabe" (com as devidas aspas) sobre Fawcett com ceticismo. Compara diferentes relatos, e coloca todos eles em dúvida. Também expõe suas teorias, mas sempre deixa claro que são teorias.

Ou seja, ao mesmo tempo que é um belo relato jornalístico, o livro também funciona como uma espécie de making of desse relato. Ao sempre colocar em dúvida os fatos que narra, Callado expõe todas as dificuldades de produzir uma reportagem: o que pode ser dado como certo e o que deve ser questionado, a difícil relação com as fontes de informação, o reconhecimento que há ocasiões em que não é possível saber o que aconteceu.

Além disso, há outro ponto de interesse para os fãs de Callado: essa viagem serviu de pontapé inicial para a sua grande obra, o romance Quarup , publicado quinze anos depois.

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