Graphic novels do Brasil

Formato com diversas definições, romance gráfico ganha espaço entre leitores e quadrinistas brasileiros

Guss de Lucca, iG São Paulo |

O termo graphic novel, cuja tradução para o português poderia ser romance gráfico, ainda levanta alguma discussão quanto a sua definição. Porém, independente disso, esse estilo de publicação vem ganhando adeptos no Brasil, tanto por parte do público quanto pelos próprios quadrinistas.

Ao serem editadas em formato de livro e tratarem de assuntos ditos mais sérios, essas histórias em quadrinhos ganharam status de literatura e, por isso, tentam se distanciar do termo gibi, popularmente conectado a publicações à venda em bancas de jornal, dominadas por histórias infantis ou de super-heróis.

Apesar de empregada em HQs desde o início da década de 1970, a definição graphic novel ganhou popularidade após o lançamento de Um Contrato com Deus , do quadrinista Will Eisner, em 1978. Seu sucesso comercial e de crítica foi responsável pela adoção do termo pelo setor editorial.

Divulgação
Capa da grahic novel Um Contrato com Deus
Isso não quer dizer que não existam graphic novels utilizando os mesmos super-heróis popularizados pelos gibis tradicionais. Publicações como Batman - O Cavaleiro das Trevas , de Frank Miller, e A Piada Mortal , de Alan Moore, são dois exemplos de graphic novels estreladas por heróis.

Após três décadas de publicações constantes, as graphic novels conseguiram conquistar uma fatia importante do mercado editorial norte-americano, e nos últimos anos têm ganhado espaço entre o público brasileiro - editoras como a Conrad e a Devir traduzem material estrangeiro há algum tempo. Porém, a principal mudança não envolve o leitor, mas a produção desse tipo de HQ e sua difusão nas livrarias.

O Brasil é conhecido por exportar desenhistas para as grandes editoras dos Estados Unidos, como Mike Deodato Jr ( Incrível Hulk , da Marvel Comics) e Marcelo Campos ( Lanterna Verde , da DC Comics), mas não por trabalhos autorais que se encaixem nesse formato e tenham o peso das 352 páginas de Persépolis , de Marjane Satrapi, ou das 592 de Retalhos , de Craig Thompson.

Agora, com o lançamento de Cachalote pela Quadrinhos na Cia, selo responsável pela publicação de quadrinhos da Companhia das Letras, o mercado editorial brasileiro parece despertar para as graphic novels. O que antes parecia escondido em poucas prateleiras ganhou lugar de destaque nas grandes livrarias do País - muito por conta da aposta de editoras de grande porte no segmento, como a Record e a própria Companhia das Letras.

Reprodução
Imagem da graphic novel Retalhos , de Craig Thompson

Não que já não houvessem trabalhos deste tipo sendo feitos no Brasil. A obra do quadrinista Lourenço Mutarelli e a publicação no exterior de Mesmo Delivery , do desenhista Rafael Grampá, revelam a vontade dos brasileiros de produzir conteúdo autoral - vontade normalmente barrada pela falta de remuneração para a realização de um trabalho desse porte.

Se bem sucedida, Cachalote , primeira parceria do escritor Daniel Galera com o quadrinista Rafael Coutinho - filho do cartunista Laerte, pode atrair outras editoras para o segmento das graphic novels e, quem sabe, impulsionar o surgimento de uma nova geração de quadrinistas.

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