Festival de Quadrinhos na França homenageia Art Spiegelman

Exposição analisa o processo criativo do autor da obra-prima "Maus"

EFE |

Reprodução
Capa da graphic novel Maus , de Art Spiegelman
O 39º Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, que começou na quinta-feira (dia 26), dedica uma minuciosa retrospectiva ao autor Art Spiegelman, que em 1992 ganhou um Prêmio Pulitzer por sua obra "Maus", um imprescindível relato em quadrinhos sobre o Holocausto.

O festival, que revisa o trabalho do norte-americano por meio de desenhos originais, cadernos, e esboços pode ser visitado até domingo na homenagem que a cidade de Angoulême, no oeste da França, faz às histórias em quadrinhos todos os anos.

Grande parte da exposição analisa o processo criativo que levou Spiegelman (Estocolmo, 1948) a desenhar dois volumes de 296 páginas em preto e branco, publicados em 1986 e 1991, nos quais reúne a experiência de seu pai, Vladek, em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

Spiegelman fez as duas obras com saltos no tempo e pinceladas minimalistas, transformando os personagens em animais antropomorfos (ratos para os judeus, gatos para os nazistas, rãs para os franceses e cachorros para os americanos) e sem renunciar a um ápice de humanidade e seu ácido senso de humor a cada vez que abre a boca ou desenha. A prova disso é o retrato que traça de seu pai, o deportado número 175113, a quem transformou em um rato pão-duro e egoísta, atormentado pelos anos que passou em um campo de extermínio nazista.

O autor também representa a si mesmo na segunda parte de "Maus" como uma pessoa ridiculamente angustiada pela notoriedade do primeiro volume de uma obra que se tornou sucesso de crítica e vendas e mudou profundamente sua vida. "Maus" é um livro "que não se fecha nem para dormir", dizia o escritor italiano Umberto Eco, lembraram os organizadores do festival.

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A retrospectiva que chega agora a Angoulême - e que em fevereiro viajará ao Centro Pompidou de Paris - recolhe as anotações das entrevistas que Spiegelman manteve com seu pai para preparar o livro e os rabiscos que ia fazendo até transformá-los em páginas, além de camisetas, pôsteres e dúzias de páginas do livro original.

O evento faz um passeio pela obra à qual o próprio Spiegelman, presidente do júri do festival e melhor autor estrangeiro em 1993, dedicou uma minuciosa análise em seu novo livro, "MetaMaus". Mas o festival de história em quadrinhos mais importante da Europa não se limita à consagrada e reeditada obra-prima de Spiegelman. Recupera também peças de seu início de carreira como assessor criativo da marca de chicletes Topps e exemplares do primeiro de seus fanzines "Blasé", publicado em 1963 e inspirado na célebre revista "MAD", fundada por Harvey Kurtzman.

O evento destaca ainda sua experiência como editor à frente da revista underground "Raw", entre 1980 e 1991, na qual publicou autores como Charles Burns, José Muñoz, Jacques Tardi e Javier Mariscal, entre outros.

As paredes do Bâtiment Castro de Angoulême, que abriga a exposição, são ilustradas ainda pela capa que Spiegelman, que vive em Manhattan, desenhou para a revista "The New Yorker" duas semanas depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, na qual sintetizou a tragédia com duas sóbrias torres negras sobre um fundo cinza monocromático.

Um ano depois, publicou no jornal alemão "Die Zeit" a história em quadrinhos "À Sombra das Torres Ausentes", onde lança seu peculiar olhar sobre o dramático atentado contra as Torres Gêmeas de Nova York.

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