Feira de Frankfurt termina com debate entre impresso e digital

Conversas sobre o futuro do formato do livro marcaram maior evento editorial do planeta

EFE |

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Feira de Frankfurt
A Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo do setor, encerra neste domingo sua edição de 2011, após cinco dias de discussões marcadas pela convergência midiática, digitalização e o futuro do negócio editorial tradicional. A novidade deste ano foi a presença em massa de empresas que tradicionalmente pouco ou nada tiveram a ver com o mundo do livro, como alguns produtores de jogos de computador.

É o caso da empresa Seal Media, que apareceu na Feira com um jogo de computador baseado em um livro intitulado "Colts of Glory", que conta uma história de vingança após a Guerra Civil Americana. O romance, e esse é o detalhe curioso, foi escrito em papel por um funcionário da empresa, pensando já de antemão no jogo de computador, um jogo de guerra. O acesso ao game em princípio é gratuito, mas o usuário pode ter acesso a armas melhores ao comprar bônus.

Na opinião do diretor da Feira, Jürgen Boos, expositores desvinculados do setor editorial participam da mostra não só para apresentar seus produtos mas, antes de tudo, para buscar os direitos de novos conteúdos que possam traduzir à linguagem de seus jogos. Com isso, pode surgir uma nova relação do mundo editorial com outros meios, além de outros com os quais já existe uma troca há décadas, como o cinema e a internet.

No entanto, nisso ainda há muito futurismo, como também no tema da digitalização - retomado nesta edição da Feira, tal como se tinha feito nas cinco últimas. As previsões feitas no evento deste ano indicam que haverá, no mais tardar em dezembro, uma explosão do mercado do livro eletrônico na Europa.

O último dia da Feira contou com a entrega do Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães ao escritor argelino Boualem Sansal. Ele assumiu a homenagem como uma responsabilidade para seguir trabalhando com mais consciência para que seu país supere a guerra civil na qual está imerso há décadas.

"Trabalhei inconscientemente pela paz, agora trabalharei conscientemente por ela, e surgirão em mim novas qualidades", disse Sansal durante seu discurso. "Não sei quais serão essas qualidades, talvez o sentido da estratégia e da precaução, que são tão necessários na paz como na guerra. O prêmio da paz é como o dedo de Deus ou como uma varinha mágica: quando nos toca, nos transforma em soldados da paz", acrescentou o escritor.

A apresentação do país convidado de honra deste ano - a Islândia - foi menos marcada pelo tema político que nas edições anteriores. No entanto, a dimensão política do livro é algo que não abandona a Feira. Durante a entrega do Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães, um crítico suíço definiu essa dimensão citando uma frase de Heinrich von Kleist segundo a qual o livro "rompe a rigidez da época que o estreita lentamente, da mesma forma que as raízes só com lentidão podem romper uma rocha e não através de uma explosão."

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