Editora Penguin compra 45% da brasileira Companhia das Letras

Segundo Luiz Schwarcz, associação com britânicos não significa "mudança no controle"

Augusto Gomes, iG São Paulo |

AE
Luiz Schwarcz e John Makinson
O grupo britânico Penguin anunciou, nesta segunda-feira, a compra de 45% do capital da brasileira Companhia das Letras. Os valores da negociação não foram divulgados.

Fundada em 1935, a Penguin é a maior editora do planeta e está presente em mais de 60 países. Já a Companhia das Letras foi fundada em 1986 e já lançou mais de três mil títulos desde então.

Segundo o presidente da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, as negociações entre as duas editoras começaram na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) do ano passado.

Ele garantiu que a associação não significa uma "mudança no controle" da editora. "O que há é uma associação com o melhor e maior grupo editorial do mundo", afirmou.

Os outros 55% da Companhia das Letras ficarão em poder de um holding formado pela família Schwarcz e pela família Moreira Salles. Desse percentual, cerca de dois terços serão dos Schwarcz. "Essa holding ainda não tem nome e está sendo criada agora, para ser a interface da relação com a Penguin", explicou.

Foi criado também um conselho da Companhia das Letras que se reunirá uma vez por ano e será formado por Luiz e Lilia Schwarcz, Fernando Moreira Salles e dois representantes da Penguin: John Makinson e Coram Williams, respectivamente diretor-presidente e diretor-executivo financeiro mundiais da empresa.

"O grupo Penguin é composto por muitas editoras e a Companhia das Letras passa a ter um acesso muito próximo a elas. Mas a nossa linha editorial continua a mesma, sem alterações", afirmou.

A sociedade também não significa que a Companhia das Letras automaticamente publicará títulos da Penguin no Brasil. "A Penguin tem boas relações com várias editoras no Brasil e elas vão continuar", explica o presidente John Makinson. "É claro que, de um modo natural, vamos negociar mais direitos com a Companhia das Letras agora que no passado. Mas não será uma norma."

"Se a Companhia das Letras for a melhor editora para algum título da Penguin, naturalmente vamos nos candidatar de maneira rápida", continua Schwarcz. "Mas a sociedade tem que ser boa para as duas partes. Se a Companhia das Letras não for a melhor editora no Brasil para um livro da Penguin, ela não vai publicar".

A parceria entre as duas editoras começou há dois anos, quando a Companhia das Letras lançou o selo "Penguin Companhia Clássicos".

    Leia tudo sobre: Companhia das LetrasPenguinlivros

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG