Coletâneas celebram literatura latina

Livros agrupam escritores argentinos contemporâneos e expoentes das Américas

Agência Estado |

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O êxito póstumo do escritor chileno Roberto Bolaño (1953- 2003), que figurou em todas as listas dos melhores do ano de jornais e revistas brasileiros, talvez explique o lançamento de duas antologias dedicadas ao mundo literário latino, embora elas dispensem tal justificativa. Para saber a razão desses simultâneos lançamentos, basta ler ambos: "" (Editora Iluminuras, organização de Luis Gusmán) e "Antologia Pan-Americana" (Editora Record, organização de Stéphane Chao).

São duas antologias que servem de guias literários e trazem nomes tão bons como Bolaño. Na primeira, Gusmán privilegiou a nova geração de escritores argentinos. Na segunda, Chao reuniu autores já consagrados de toda a América de língua espanhola, ao lado de outros mais novos. Tanto a antologia argentina como a pan-americana reúnem contos, considerando que, no primeiro caso, comparecem outros gêneros como a crônica, a prosa poética e o diário.

Na antologia dedicada a escritores de vários países da América do Sul, Central e Antilhas, o francês Stéphane Chao, agente de autores brasileiros, chega a uma lista eclética, colocando o badalado dominicano Junot Díaz, de 42 anos, autor do premiado "A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao" (Pulitzer de 2008), ao lado do veterano argentino Juan José Saer (1937-2005), talvez o mais próximo de Bolaño, não só por seu autoexílio, mas pela variedade de gêneros que experimentou.

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O escritor e psicanalista argentino Luis Gusmán, com livros publicados no Brasil (o mais recente, "Pele e Osso", de 2009), teve muito trabalho para organizar sua antologia de 27 escritores contemporâneos, muitos deles desconhecidos no País. Deveria escolher apenas escritores argentinos como o veterano Roberto Raschella, ou autores que adotaram a língua espanhola como pátria literária? Para escapar a uma ordem arbitrária, seu critério de seleção acabou sendo geográfico, mas não no sentido físico de fronteira.

A exemplo de Stéphane Chao, Gusmán optou por uma geografia literária, incluindo em sua antologia escritores como a nipo-americana Anna Kazumi Stahl. A seleção de Chao é ainda mais abrangente, trazendo autores americanos (Richard Ford, Jonathan Franzen) ao lado de haitianos (Dany Lafferière), jamaicanos (Olive Senior) e até um representante de Trinidad e Tobago (Rabindranath Maharaj).

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