Bienal do Livro de SP muda em busca de maior peso cultural

Evento, que chega a sua 21ª edição, quer tornar-se referência na discussão de assuntos importantes da cultura brasileira

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Divulgação
Jostein Gaarder, autor de O Mundo de Sofia , um dos convidados da Bienal do Livro
A Bienal do Livro de São Paulo, que este ano chega a sua 21ª edição, quer mudar. Prova disso é que palavras como renovação e novidade foram algumas das mais citadas na entrevista de apresentação do evento. O objetivo é ambicioso: deixar de ser apenas um acontecimento importante para o mercado editorial e tornar-se referência na discussão de assuntos importantes da cultura e da educação no Brasil. A ideia é que esses assuntos venham à tona no salão de ideias, que vai reunir intelectuais durante os dez dias de programação.

O modelo de palestras e debates com escritores remete, imediatamente, à Festa Literária de Paraty, evento que chega a sua sexta edição e este ano acontece apenas uma semana antes da Bienal. Augusto Massi, um dos curadores da Bienal, não tem medo de fazer comparações. "A Flip foi um acontecimento que forçou todo mundo a mudar", reconhece. "Mas a Bienal é bem diferente. Ela acontece na maior cidade do país. As pessoas não precisam ir até ela, ela vai até as pessoas. É um público muito mais amplo".

Se comparada com edições anteriores, a lista de autores presentes no salão de ideias deste ano melhorou bastante. Traz desde brasileiros que Massi classifica de "do nível da Flip", como Milton Hatoum e Marçal Aquino, até Jostein Gaarder, autor do sucesso O Mundo de Sofia. "A Bienal agora tem uma curadoria", explica Massi. "Na comparação com edições anteriores, a programação tem um filtro muito maior", completa, numa referência velada à fama de maior preocupação com o mercado editorial do que com a qualidade literária que o evento tinha em outros anos.

Além da mudança de foco, a Bienal também ficou mais ambiciosa. O investimento para essa edição foi de R$ 30 milhões, contra R$ 22 milhões da Bienal de 2008. A programação também ficou mais extensa: 1100 horas, contra 700 horas da edição anterior. Segundo Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro, o evento terá quatro temas principais: os escritores Monteiro Lobato e Clarice Lispector, a lusofonia (identidade cultural entre os países de língua portuguesa) e o livro eletrônico.

A programação oficial da Bienal inclusive começará com um fórum sobre livros digitais, dois dias antes do início da feira. Entre os presentes, estará o americano Mike Shatzkin, uma das maiores autoridades mundiais no assunto. Durante a Bienal, a Imprensa Oficial de São Paulo terá um espaço em que o público poderá experimentar diversos e-readers (aparelhos que permitem a leitura de obras eletrônicas), como o Ipad e o Kindle. "A maior parte do público nunca experimentou um aparelho desses", justifica Hubert Alqueres, presidente da Imprensa Oficial.

Outro tema que promete mobilizar debates durante a feira é a nova lei de direitos autorais. A proposta do Ministério da Cultura, ainda em fase de consulta pública, prevê algumas mudanças que vêm causando polêmica no mercado editorial. Por exemplo, a permissão de cópias de livros para fins educacionais ou de obras esgotadas. "A indústria do livro no Brasil é um modelo de excelência", acredita Rosely Boschini. "A nova lei tem que manter essa indústria forte, tem que respeitar a propriedade intelectual".

21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Pavilhão de Exposições do Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1209, Santana
Abertura ao público em geral de 13 a 22 de agosto
Ingressos: R$ 10 (estudantes e professores pagam R$ 5)
Horário: das 10h às 22h

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