"A ficha ainda não caiu", diz Zuenir Ventura após ser eleito para ABL

Por Agência Brasil |

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Escritor é o novo ocupante da Cadeira 32, que ficou vaga após a morte de Ariano Suassuna, em julho

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“A ficha ainda não caiu”, disse à Agência Brasil o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Zuenir Ventura, após ser eleito com 35 votos, em primeiro escrutínio para suceder o poeta e romancista Ariano Suassuna, na Cadeira 32.

Leia também: Zuenir Ventura é eleito imortal da ABL

“É um privilégio, é uma emoção ser consagrado pelos pares. Eu estou vivendo um momento que ainda não caiu a ficha. Estou meio no ar, dando entrevista e abraçando amigos. Eu acho que a minha ficha vai cair amanhã [sexta-feira]”, completou.

O jornalista e escritor Zuenir Ventura. Foto: Divulgação"Fiz um livro com as minhas memórias, as dos outros e as memórias inventadas". Foto: Divulgação"Hoje as pessoas dizem como trepam, como gozam, é tudo bem despudorado, escancarado". Foto: DivulgaçãoZuenir Ventura na FlipZona 2012. Foto: DivulgaçãoZuenir Ventura palestra na Flip 2012. Foto: Divulgação/Walter Craveiro

Zuenir falou ainda que, ao ser informado pelo presidente da ABL de que tinha sido eleito, foi como se recebesse uma notícia inesperada. “E aí foi uma emoção enorme, misturada com alegria, com felicidade. Não me lembro de ter vivido assim tantas emoções positivas juntas na vida profissional. Foi muito legal”.

Para ele, receber 35 dos 37 votos (os outros foram dados para os poetas Thiago de Mello e Olga Savary) representa uma grande responsabilidade por ter a confiança dos acadêmicos e por suceder Ariano Suassuna.

Divulgação
Capa de "Sagrada Família", livro mais recente de Zuenir Ventura

“Eu ofereci a vitória a Zélia, a mulher dele, que foi uma pessoa importantíssima na vida dele. O Ariano em uma entrevista ao jornalista Gerson Camarotti, que era muito amigo dele e meu, disse que há muito tempo não votava, mas que ia votar em mim e que estava muito entusiasmado com a minha candidatura. Nessa noite, ele foi internado e morreu.”

“Claro que eu preferia que ele estivesse aqui e não contando esta história agora. Então, imagina a minha emoção de sucedê-lo, a cadeira dele”, disse.

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O novo imortal pretende aproximar a academia da sociedade, por se tratar de um centro cultural com muitas atividades, como palestras abertas ao público. “Acho que posso contribuir nessa orientação de tornar a academia, cada vez mais, uma instituição da sociedade. Nesse sentido é que espero dar a minha contribuição”, ressaltou acrescentando que a eleição ocorreu no momento certo.

O filho de Zuenir, Mauro Ventura, também jornalista e escritor, disse que ficou emocionado com a eleição do pai. “Como filho, você tem o reconhecimento porque conhece ele. Mas ver o reconhecimento de fora, dos pares dele, das pessoas que trabalham nessa área terem esse reconhecimento igual ao que você tem, é muito bonito. E ele é muito humilde. Fico muito orgulhoso, e o número de votos foi muito expressivo”, disse.

Mauro contou ainda que o namoro entre o pai e academia era antigo, mas ainda não tinha terminado em casamento. “Finalmente o noivo subiu ao altar e terminou bem. Já podia ter acontecido antes, mas aconteceu em um bom momento. A votação expressa isso. Veio em um momento perfeito”, ressaltou.

A comemoração foi no apartamento de Gilse e Mauro Campos, um casal de amigos de longa data, na Praia do Flamengo, na zona sul do Rio. Gilse disse que a festa não poderia ser em outro lugar, afinal, foi ali também que Zuenir recebeu os amigos para o aniversário de 80 anos e as famílias passam o réveillon juntos há 20 anos. Gilse disse ainda que o amigo foi também seu professor no curso de jornalismo.

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