Política, drogas e os bastidores da mídia em discussão na Flip

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty |

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Autores falam sobre seus trabalhos e novas formas de se fazer jornalismo

A última mesa deste sábado (2) na Festa Literária Internacional de
Paraty recebeu os jornalistas David Carr, dos Estados Unidos, e
Graciela Mochkofsky, da Argentina. Os dois trabalharam em grandes
jornais em seus países e escreveram matérias sobre os bastidores da
mídia.

David Carr fez a cobertura da demissão da editora-executiva do jornal
The New York Times, Jill Abramson. Em “Pecado original” (2011),
Graciela Mochkofsky tratou do embate político entre o casal Kirchner e
o Grupo Clarín.

Neste ano, a autora lança seu primeiro livro traduzido para o
português: “Estação Terminal”, sobre o acidente de trem que matou 52
pessoas e deixou mais de 800 feridos em Buenos Aires, em 2012.

“Tem a ver com um processo de decadência da sociedade argentina,
coisas que já estavam mal no País e vieram à tona com o acidente”,
diz. O livro é formado por histórias que vão construindo os fatos,
começando pela glória dos trens. “O sistema ferroviário foi um dos
orgulhos da Argentina e entrou em decadência nos anos 1950”, conta.

Do começo ao fim, o livro expressa de forma gradativa a decadência
pela qual passou o sistema ferroviário argentino, até o acidente. O
livro termina com a última vítima encontrada, um jovem cujo corpo
demorou dois dias para ser retirado do trem.

Graciela continuou acompanhando as investigações do caso. Foram
encontrados trens em estado precário de funcionamento. Descobriram-se
veículos sem velocímetro ou com apenas um sistema de freios (de um
total de cinco) funcionando.

Drogas
David Carr também empreendeu um trabalho de investigação para
construir seu livro “A noite da arma” (2012). Após anos de vício em
drogas, decidiu reconstruir esse período, do qual possuía poucas
lembranças, através de pesquisas e entrevistas.

Foram usados, para a elaboração do livro, fragmentos como um boletim
de ocorrência lido durante esta mesa. Carr é mencionado no documento
em um caso de agressão contra um taxista, do qual não se recordava.

Ele conta que foi muito difícil fazer essas descobertas. “Você acha
que saiu com uma menina e na verdade a torturou”, diz.

A paternidade foi o fator que o ajudou a superar as drogas. “Eu vinha
sendo um mau marido, mau filho, mau amigo, mau empregado; mas ser um
mau pai, eu senti que Deus não perdoaria”, conta.

Saiba mais sobre os jornalistas:

David Carr
Atua como jornalista e escritor nos Estados Unidos. É repórter e
colunista no The New York Times. Após trazer a público o fato de ter
sido dependente químico, iniciou um trabalho de entrevistas a amigos,
familiares e conhecidos para construir seu livro. Em 2011, estrelou o
documentário “Page One”.

Graciela Mochkofsky
É jornalista e escritora argentina. Atuou como repórter e colunista em
jornais como La Nación e Página/12. Escreveu a biografia de Jacobo
Timerman, um dos maiores jornalistas da Argentina. Em seus livros,
trata principalmente de política e das relações de poder.

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