Fernanda Torres: “escrever é uma doença, não consigo mais viver sem isso”

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty |

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A atriz esteve em mesa com o escritor Daniel Alarcón na Flip

A atriz e escritora Fernanda Torres roubou a cena na tarde deste domingo (3) na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). “Eu sinto que eu estou em um lugar nobre”, disse em referência à sua estreia na literatura com o romance “Fim”.

Ela divide o tempo entre sua carreira de atriz e escrever. “Há três dias eu estava fazendo strip-tease na boate ‘La Conga’, e hoje estou aqui, na Flip”, diz, em referência ao personagem Fátima, que interpreta em “Tapas & Beijos”, da Rede Globo. “Um ator é um ser que não vale nada, mas um autor vale muito”, brinca.

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Daniel Alarcón nunca foi ator. “Parece assombroso que alguém possa estar em frente a um público como este ou maior e interpretar um papel”, opina. No entanto, escreveu sobre uma trupe de teatro no livro “À noite andamos em círculos”. Além da relação com o teatro, o livro contou com visitas a presídios para sua construção.

Dvulgação/Flip
Fernanda Torres e Daniel Alarcón em mesa na Flip 2014, neste domingo (3)

“Você é um ser humano melhor do que eu”, diz Fernanda Torres ao escritor devido ao fato de não ter empreendido um trabalho como o dele, nas prisões. “Eu quis falar sobre o hedonismo carioca”, conta.

“Fim” teve início com a encomenda de um conto sobre a velhice. Ela começou escrevendo sobre um idoso que morria em um acidente e tinha quatro amigos. “Aí eu achei que queria matar os outros quatro”, conta.

Apesar da presença do mediador Ángel Gurría-Quintana, Fernanda Torres assumiu, em alguns momentos, as rédeas da discussão fazendo perguntas por conta própria ao autor, arrancando risos da plateia.

A atriz fez vários comentários à obra de Alarcón. “A maior crítica que eu recebei sobre meu livro foi a falta da redenção. Mas ele me largou num lugar que eu não sabia onde estava”, diz. “O [livro] dele é apavorante, é muito pior que o meu”, afirmou, em um dos momentos de risos do público.

Ela falou também sobre uma crise no cinema e no teatro e sobre a separação rígida que é feita entre os gêneros. “Ou você é absolutamente ‘cult’ ou você é entretenimento”, diz.

Sobre o ato de escrever
“Escrever é uma doença, não consigo mais viver sem isso”, diz Fernanda Torres. Ela conta que escreve à noite, após o trabalho como atriz durante o dia. “Eu durmo e eles [personagens] começam a fazer coisas”, diz.

“É parte do prazer de escrever não saber o destino dos personagens. É angustiante”, afirma Alarcón. Ele conta que chegou a acordar no meio da madrugada para perguntar para sua esposa “o que aconteceu com o Nelson”, um personagem de seu livro. “Escrever é um bom escapismo”, concordam os autores.

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