Literatura: "o único lugar onde a Palestina acontece há décadas”

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty | - Atualizada às

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Espaço da editora Casa Libre na Flip promove ato pela paz na Palestina

O professor e editor Paulo Daniel Farah e a historiadora Márcia Camargos leram textos da literatura palestina, em ato pela paz promovido pela editora Casa Libre. Eles selecionaram autores palestinos de destaque, além de “Noite Grande”, do brasileiro Permínio Asfora.

Escrito na década de 1940, o romance é o primeiro da literatura brasileira a inserir um personagem palestino na trama. O livro faz uma comparação da situação na Palestina com o drama da terra no nordeste brasileiro.

Da Palestina, foram lidos trechos de “A terra nos é estreita e outros poemas”, de Mahmoud Darwich, e de “Homens ao sol”, de Ghassan Kanafani, que Farah considera o principal romance da literatura palestina.

iG São Paulo
O professor e editor Paulo Daniel Farah (centro) e a historiadora Márcia Camargos leram textos da literatura palestina

Além das leituras, Farah e Camargos discutiram a situação em Gaza e as dificuldades que as universidades sofrem na Palestina. “Centros de pesquisa, universidades e escolas são alvos de destruição porque há uma compreensão do poder de conscientização”, diz Farah.

Ele explica que ocorrem diversos tipos de boicote. Por exemplo, existem casos de bombardeio a gráficas que imprimiriam cartazes destinados a conscientizar as pessoas sobre a situação no País.

Além disso, o controle de fronteiras por autoridades não palestinas dificulta o intercâmbio cultural. “Quando um acadêmico palestino sai da Cisjordânia, muitas vezes não consegue voltar para sua terra. Por isso muitos palestinos recusam convites, com medo de não poder retornar”, afirma.

Na Palestina, intelectuais são obrigados a atuar na clandestinidade. “Talvez o único lugar onde a Palestina acontece há décadas é a literatura”, comenta Farah. “O resgate da humanidade acontece na literatura palestina. Essa ideia do não-lugar é compensada pela possibilidade da presença na literatura palestina”, afirma.

Ele explica que o exílio acabou por facilitar que escritores que não conseguiam se encontrar no cenário anterior finalmente pudessem trocar experiências e ideias: “A criação literária é sempre influenciada pelo exílio”.

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