Glenn Greenwald sobre os Estados Unidos: “É uma sociedade corrupta"

Por Maria Carolina Gonçalves | - Atualizada às

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Dois importantes questionadores das ações do governo dos Estados Unidos encontraram-se na Flip

O sábado começou com Glenn Greenwald e Charles Freguson na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O escritor e jornalista e o cineasta foram responsáveis por criticar o poder nos Estados Unidos e trazer a público importantes revelações.

Millôr Fernandes, o homenageado desta edição da Flip, também fez críticas ao governo brasileiro em sua carreira de escritor. “Como Millôr no Brasil, são pedras no sapato do poder em seus respectivos países”, afirma o curador Paulo Werneck, que mediou a mesa nesta manhã.

Glen Greenwald foi o responsável por divulgar os documentos que Edward Snowden vazou da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. “Snowden me procurou porque a grande mídia está muito comprometida com o sistema. Jornais como o New York Times encobriram a Guerra do Iraque”, conta.

O cineasta Charles Ferguson levou a público o desenrolar da última crise financeira nos Estados Unidos, que culminou em 2008, em seu filme “Inside Job”, que ganhou o Oscar de melhor documentário.

“A minha investigação começou antes da crise”, diz. Ele conhecia pessoas da esfera financeira e que trabalhavam com políticas públicas. “Em 2007, duas dessas pessoas começaram a me contar que alguma coisa estava errada”, conta.

“Eu estou acostumado com essas situações em que alguém não quer que eu descubra algo, eu adoro essas situações”, diz Ferguson, que já realizou outros trabalhos sobre o poder e o mundo corporativo.

Para o cineasta, um dos pontos mais graves dessa crise foi o fato de ninguém ser preso, diferentemente do que aconteceu na crise financeira anterior, na década de 1980. “Foi uma crise gigantesca e zero pessoa foi processada”, afirma.

Após a crise de 2008, o presidente Barack Obama optou por não incriminar as pessoas envolvidas com a crise financeira. “O presidente Obama fez Direito em Harvard e não é nenhum idiota. Ele sabe que está mentindo”, diz.

“É uma sociedade corrupta”, afirma Glenn Greenwald, que chegou a ser ameaçado de prisão caso publicasse as reportagens sobre o caso Snowden. Ele observa que pessoas poderosas dos Estados Unidos não são presas por atos criminosos, enquanto estrangeiros são presos por motivos que não são crimes em seus países de origem e chegam a ser torturados, apesar de um tratado internacional proibir essa prática.

Quanto a Snowden, Greenwald afirma que “ele está muito bem”. “Parece um rapaz em férias, anda pela rua tranquilamente”, conta o jornalista, que esteve em Moscou recentemente, onde Snowden permanece sob refúgio do governo russo.

Curiosidade
O nome dado à mesa com Ferguson e Greenwald, "Liberdade, Liberdade", é o mesmo nome de um espetáculo escrito por Millôr Fernandes em 1965, em parceria com Fávio Rangel. É um dos principais textos do que ficou conhecido como teatro de protesto, contra o golpe militar de 1964, que instituiu a ditadura militar no Brasil.

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