Conheça oito episódios das trajetórias de Edu Lobo e Cacá Diegues

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty | - Atualizada às

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Flip teve mesa com dois representantes da música e do cinema

A sexta-feira terminou bem brasileira na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), com o cineasta Cacá Diegues e o cantor e compositor Edu Lobo. Em tom bem-humorado, eles contaram diversos episódios da carreira e da vida pessoal.

“Só me fez bem”
Com 19 anos, uma amiga de Edu Lobo o convidou para um encontro em que Vinicius de Moraes estaria presente. Ele aceitou e conheceu Vinicius, que, segundo ele, perguntou se Edu teria um samba sem letra. Ele tinha, Vinicius fez a letra e surgiu “Só me fez bem”. Foi a primeira parceria musical de Edu Lobo.

E o papel?
Edu Lobo conta que Vinicius escreveu a música em um pedaço de papel e lhe entregou. Acabou se esquecendo do papel e achou que tinha perdido. Anos depois, uma ex-namorada o encontrou e lhe restituiu o papel onde a música ficou registrada.

Glauber Rocha
Cacá Diegues conta que foi confundido com o cineasta Glauber Rocha por duas moças que elogiaram trabalhos como “Terra em transe” e “Deus e o diabo na terra do sol” (de autoria de Glauber Rocha). Diegues deixou a conversa continuar, agradeceu e disse: “Obrigado, mas eu realmente gostaria de ter feito ‘Xica da Silva’ (de sua própria autoria)”.

Festival de 1967
Edu Lobo recebeu uma proposta de Dorival Caymmi para criar uma letra para o festival. “Não sou letrista”, conta que foi sua resposta. Acabou criando o refrão e juntando-o à palavra “Ponteio”, que virou o título da música. O resultado foi o primeiro lugar do festival.

“Xica da Silva”
“Naquela época, nas escolas de samba, a gente realmente dançava samba”, lembra Cacá Diegues. Ele conta que a inspiração para o filme “Xica da Silva” veio de um carnaval. “Eu vi o Salgueiro dançando ‘Xica da Silva’. Foi um êxtase que eu tive”, diz. O interesse levou à pesquisa e à concepção do filme.

Tom Jobim
“O Tom Jobim era um modelo. Eu era, como se diz hoje em dia, tiete. E continuo sendo”, afirma. Edu Lobo conta a história de um disco que deveria ter 12 músicas de Edu com outros 12 artistas. Tom foi pedindo mais uma, mais uma, até virar um álbum com os dois músicos.

José Wilker
Cacá Diegues fala da experiência com José Wilker, que morreu neste ano. “O Wilker era um ator autoral”, diz. Ele conta que conhecia o trabalho do ator no teatro. A primeira experiência no cinema satisfez Diegues, que trabalhou com Wilker em outros filmes. “Eu acho a morte do Wilker um desastre, uma coisa inesperada. Eu sinto muita falta
dele”, comenta.

Atriz pornô
Diegues relembra uma atriz de pornochanchadas muito conhecida. Em passagem por Alagoas, soube que ela estava na cidade e foi conhecê-la. “Era a pessoa mais séria no local, com gola alta e sem maquiagem”, diz. Quando o prefeito mostrou os locais tombados, ela respondeu: “e o senhor não vai levantar?”. “Fiquei com vontade de escrever um livro: ‘assim falou fulana de tal’”, brinca.

Saiba mais sobre os convidados:

Cacá Diegues
É cineasta brasileiro. Teve papel fundamental no Cinema Novo. Inaugurou sua carreira com “Escola de Samba Alegria de Viver” (1961). Alguns filmes de destaque são “Orfeu” (1999), “Deus é Brasileiro” (2003) e “Tieta do Agreste” (1996). Este último é uma adaptação do livro de Jorge Amado, homenageado pela Flip em 2006. Seus filmes já
foram selecionados para exibição em festivais internacionais, como o de Cannes. Em 2003, recebeu o Troféu Eduardo Abelin, pelo conjunto da obra, em Gramado. É colunista do jornal O Globo.

Edu Lobo
É cantor e compositor brasileiro, filho do compositor Fernando Lobo. Autor de canções como “Chegança”, “Upa neguinho”, “Ponteio” e “Arrastão”. Teve influência da Bossa Nova e das músicas de protesto contra a ditadura militar. Estabeleceu parcerias com Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Chico Buarque, com quem ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de MPB em 2002. Seu último disco lançado foi o “Tantas Marés”, em 2010. Essa não é a primeira vez que ele estará na Flip; foi convidado, entre outros artistas, para fazer o show de abertura em 2010.

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