Pela primeira vez, Flip tem mesa dedicada aos índios e à Amazônia

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty |

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"Agora é a hora de você nos ajudarem", disse Davi Kopenawa, xamã e líder yanomami, na feira literária

“Agora é a hora de você nos ajudarem. Ajude um índio, ajude a preservar a água”. Esta foi a mensagem de Davi Kopenawa, xamã e líder yanomami. É a primeira vez que a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) recebe um líder indígena para uma mesa dedicada aos índios, à Amazônia e à preservação da natureza.

A fotógrafa Claudia Andujar apresentou seu trabalho sobre os yanomamis e o xamanismo. O trabalho foi feito com fusão de imagens e cores para representar o transe xamânico. Confira imagens desse trabalho:

Registro de índio Yanomami feito pela fotógrafa. Foto: Claudia AndujarA fotógrafa representou a prática do xamanismo e o estado de transe. Foto: Claudia AndujarRepresentação do transe do xamanismo. Foto: Claudia AndujarInterior de casa comunitária Yanomami. Foto: Claudia AndujarVista de uma montanha no Marari, no Amazonas. Foto: Claudia AndujarRegistro de índio Yanomami. Foto: Claudia AndujarImagem de ritual xamânico. Foto: Claudia Andujar

O nome do encontro, “Marcados”, tem duplo sentido. Durante a Segunda Guerra Mundial, a família de Andujar, que era judia, foi marcada com a estrela de Davi. Muitos de seus parentes foram mortos.

Décadas depois, em 1971, Andujar chegou à Amazônia e enxergou nos yanomamis um povo marcado para morrer. Durante o regime militar, a expansão da exploração da floresta e o contato com os brancos levou para os índios doenças para as quais eles não tinham resistência. Andujar empreendeu então um trabalho de registrar esses indígenas para controlar as epidemias.

O líder yanomami Davi Kopenawa falou um pouco sobre seu trabalho, que foi publicado na França e nos Estados Unidos juntamente com o antropólogo Bruce Albert. Tendo contribuído com o trabalho do pesquisador, Kopenawa pediu, em troca, ajuda para divulgar a sabedoria yanomami.

O resultado é “Hutumosi Kerayo” (“o desabamento do céu”, em português), que tem previsão de publicação no Brasil em 2015 pela Companhia das Letras. O livro trata do mito do desabamento do céu, um extermínio da humanidade que seria provocado por seus próprios atos de poluição e destruição.

“O povo yanomami não é rico de dinheiro, é rico de história”, afirma Kopenawa. E aproveita para derrubar alguns preconceitos, afirmando que esse livro prova o contrário para quem pensa que “índio não sabe falar, não sabe escrever e não sabe contar histórias”.

Sobre Claudia Andujar:

É fotógrafa suíça e uma das fundadoras da Comissão pela Criação do Parque Yanomami. Veio para o Brasil em 1955, quando iniciou um projeto de fotografia para documentar a vida dos índios Carajá. Seus trabalhos foram publicados em revistas nacionais, como a Realidade, e em revistas internacionais, como Life e Fortune.

Nos anos 70, iniciou um trabalho de profundidade, documentando a vida e os rituais dos Yanomami. Documentou também a invasão de territórios indígenas para a construção de estradas durante o governo militar. As fotografias desse trabalho foram expostas na Pinacoteca do Estado de São Paulo e em vários museus pelo mundo, como o MoMA, em Nova York. Podem ser encontradas no livro “Marcados” (2009).

No ano que vem, Andujar terá um pavilhão permanente com cerca de 500 fotografias e projeções que retratam os Yanomami em Inhotim, Minas Gerais.

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