Paraty x Veneza: “Um confronto das águas com o mar”

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty | - Atualizada às

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Dois importantes nomes da arquitetura, um brasileiro e um italiano, discutem as semelhanças entre Paraty e Veneza

A mesa de arquitetura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2014 teve como tema “Paraty, Veneza no Atlântico Sul”. Os convidados foram o brasileiro Paulo Mendes da Rocha e o italiano Francesco Dal Co, com mediação de Guilherme Wisnick, arquiteto e crítico de arquitetura.

Confira imagens de Paraty que lembram a cidade italiana:

Paisagem que virou um dos cartões-postais da cidade. Foto: Prefeitura de ParatyMenina em frente à Igreja da Matriz, durante a Festa de Santa Rita. Foto: Prefeitura de ParatyA água chega a invadir casas e estabelecimentos. Foto: Prefeitura de ParatyAs ruas mais próximas ao cais são frequentemente tomadas pela água. Foto: Prefeitura de ParatyAs construções antigas com cores fortes marcam o Centro Histórico. Foto: Prefeitura de ParatyEsquina da Igreja da Matriz. Foto: Prefeitura de ParatyÁgua toma a rua em frente à Igreja da Matriz. Foto: Prefeitura de Paraty


Mendes da Rocha discutiu as formas de confronto entre homem e natureza existentes nas duas cidades. No caso de Paraty, trata-se de “um confronto das águas com o mar que fazem tudo muito fluido”. O município está o tempo todo lidando com a invasão das águas, que ameaça tomar casas e estabelecimentos.

Veneza é uma cidade que se construiu sobre seus canais. Para o arquiteto, é mais um exemplo do homem utilizando e alterando a natureza. Dal Co lembra um trecho do escritor Petrarca, que fala de Veneza: “o impossível nascido da impossibilidade”. Para o italiano, isso é Veneza, uma cidade construída apesar das dificuldades estruturais.

Em sua opinião, todas as cidades são formadas de conflitos: de interesses, de poderes e religiosos. Às vezes, são pequenos conflitos que fazem parte da própria natureza.

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Ele cita como exemplo o Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo, projetado por Mendes da Rocha. Ele considera o projeto uma obra-prima por lidar com o seguinte conflito: uma estrutura consideravelmente pesada vence o peso da gravidade.

No entanto, Dal Co ressalta que nem sempre as cidades conseguem lidar com esses conflitos. “O que vocês veem em Gaza é a destruição da cidade”, ressalta.

Tanto em Paraty quanto em Veneza, o turismo pode se tornar um problema. Em Veneza, são cerca de 23 milhões de turistas por ano, segundo Dal Co. Para Mendes da Rocha, o problema é uma “forma predadora de turismo”, mercantilista, que não trabalha temas como educação.

Saiba mais sobre os convidados da quarta mesa da Flip:

Francesco Dal Co

Historiador da arquitetura italiano, dirigiu a seção de Arquitetura da Bienal de Veneza entre 1988 e 1991. É curador das publicações voltadas à arquitetura na Editora House Electa desde 1978 e editor da revista de arquitetura Casabella desde 1996, além de diretor do Departamento de História da Arquitetura da Universidade IUAV de Veneza há vinte anos. Ministrou aulas em Yale e na Università della Svizzera. Recentemente publicou estudo sobre o arquiteto japonês Tadao Ando.

Paulo Mendes da Rocha

É um nome de destaque na arquitetura brasileira, tendo recebido em 2006 o Prêmio Pritzker, um dos mais importantes na área. Antes dele, o único brasileiro a ganhar esse prêmio havia sido Oscar Niemeyer, em 1988. Ele pertence à geração de arquitetos conhecida como “Escola Paulista”, defensora de uma arquitetura sintética e socialmente responsável. Lecionou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Entre suas obras estão o Museu Brasileiro da Escultura e a reforma da Pinacoteca do Estado, ambas em São Paulo. Sua obra foi publicada em diversos livros e revistas.

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