Gregorio Duvivier: "Me arrependo de não ter sido mais afetivo com Collor"

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty |

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Um dos criadores do Porta dos Fundos esteve em mesa com os autores Eliane Brum e Charles Peixoto

A primeira mesa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começou com muito humor nesta quinta-feira (31). Nada mais apropriado à edição de 2014, que tem Millôr Fernandes como homenageado. O escritor tem no humor uma de suas marcas.

Gregorio Duvivier, um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos, falou sobre humor, críticas políticas e a responsabilidade do humorista ao lidar com pessoas. “Humor tem de ter afeto, consideração pela humanidade da pessoa”, afirma.

Walter Craveiro/Divulgação
Gregório Duvivier na Flip 2014

Assim como Millôr Fernandes, que publicou “Humor nos Tempos do Collor” (1992), Duvivier fez críticas a José Sarney e a Fernando Collor. “Às vezes eu me arrependo de não ter sido um pouco mais afetivo com o Collor”, afirmou, arrancando risos da plateia. “Embora ele mereça”, completou.

As opiniões ácidas de Millôr sobre a política do País e a sociedade foram duramente criticadas no passado, assim como a obra de Charles Peixoto, que também esteve na primeira mesa da Flip. Os trabalhos de Millôr e Peixoto chegaram a ser classificados de “lixeratura” pelos críticos e hoje são reconhecidos pelo público.

A literatura, revolucionária para a política em Millôr, foi revolucionária na vida de Eliane Brum. “Com a leitura, eu poderia ser outra”, diz. Ela conta que começou a escrever como um “ato de pulsão de vida diante de uma pulsão de morte”. Vivendo uma infância difícil, usava papéis de pão e todos os papéis que pudesse encontrar para escrever.

O resultado foi compilado por seu pai em “Gotas de infância”, quando a autora tinha apenas 9 anos. E a história foi contada posteriormente pela própria autora em “Meus desacontecimentos” (2014).

No caso de Charles Peixoto, durante 26 anos, a necessidade foi de silêncio. Ele conta o episódio em que encontrou seus livros empilhados num porão de editora. Depois disso, mais de duas décadas se passariam até a publicação seguinte, “Sessentopeia” (2011).

O encontro terminou com a leitura de trechos selecionados pelos três autores, tanto de livros de Millôr Fernandes como de suas próprias obras.

Saiba mais sobre os autores:

Charles Peixoto
É escritor brasileiro e compôs o grupo que ficou conhecido como Geração Mimeógrafo. Fez parte também do grupo de criação “Nuvem Cigana”. A partir da década de 1980, passou a escrever roteiros para a Rede Globo, em programas como “Armação Ilimitada” e “Malhação”. Seu sexto livro, “Sessentopéia” (2011), foi lançado após um período de 26 anos sem novos lançamentos, desde “Marmota platônica” (1985).

Gregorio Duvivier
É escritor e humorista brasileiro e um dos criadores do portal Porta dos Fundos, no qual atua como ator e roteirista. É autor das coletâneas de poemas “A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora” (2008) e “Ligue os pontos” (2013).

Eliane Brum
É jornalista e escritora brasileira. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. Publicou livros como “A vida que ninguém vê” (2006) e, mais recentemente, “A menina quebrada” (2013). É codiretora de dois documentários: “Uma História Severina” (2005) e “Gretchen Filme Estrada” (2010).

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