Escritores encontram crianças: "Ganhar leitores é melhor que ganhar estátuas"

Por Maria Carolina Gonçalves |

compartilhe

Tamanho do texto

Dentro e fora da programação principal da Flip, crianças podem conhecer autores de literatura infantil

“Quando você começou a escrever?”, “Escrever ganha muito dinheiro?”, ”Qualquer pessoa pode ser autor?”. Essas e outras dúvidas as crianças podem levar aos encontros com autores que participam da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

A escritora Socorro Acioli encontrou seus pequenos leitores nesta quinta-feira (31) na biblioteca da Associação Casa Azul. É a primeira vez que ela está na Flip e disse que a experiência está sendo positiva. “O livro só acontece depois que alguém lê. E aqui eu tenho contato com os meus leitores”, diz.

Maria Carolina Gonçalves/iG
A escritora Socorro Acioli fala às crianças

Um pouco mais longe da programação principal da Flip, a cerca de seis quilômetros do Centro Histórico da cidade, a escritora Marilda Castanha também falou com as crianças, na Escola Municipal Maria Jácome de Mello. Os alunos leram livros como “Ops” e “Pindorama” e fizeram diversas perguntas à autora. A primeira foi uma dúvida sincera de várias crianças: “onde é que fica a Eslováquia?”, em referência à biografia da autora, que viajou para o país europeu.

Siga o iG Cultura no Twitter

Na escola, as crianças têm uma hora semanal para ler literatura. Cada sexta-feira, a leitura ocorre em um local diferente, para variar, explica o professor de Língua Portuguesa Luiz Paulo da Silva. A iniciativa de apoio à leitura começou com uma ação da Associação Casa Azul, que realiza a Flip, com apoio do Instituto C&A. O instituto tem o programa Prazer em Ler desde 2006, que apoia projetos de incentivo á leitura em mais de 20 cidades brasileiras.

Maria Carolina Gonçalves/iG
A escritora Marilda Castanha fala às crianças

A iniciativa conseguiu fazer novos leitores. Eloísa, de 8 anos, já leu três livros de Marilda Castanha. Seu preferido até o momento é “O Pulo do Gato”. Para receber a autora, as crianças prepararam uma peça de teatro inspirada em um dos livros dela, “Mil e Uma Estrelas”, e realizaram diversos trabalhos artísticos inspirados em sua obra em toda a escola, que tem alunos de 1º a 5º anos do ensino fundamental.

“É o que eu acho mais fantástico da Flipinha. Em outros encontros, as crianças chegam sem saber nada dos autores”, conta Socorro Acioli. Ela lamenta que, na maioria dos encontros em que já participou, as crianças chegam sem saber nada nos autores. Na Flip, as escolas públicas realizam trabalho de preparar os alunos, com leituras, trabalhos e conversas sobre os autores da Flip.

Apesar de as crianças nem sempre se informarem previamente sobre a autora, Acioli diz que os encontros pelo Brasil têm sido satisfatórios “para ver como o publico está recebendo o trabalho”.

A escritora tem acompanhado as reações a seus livros em redes sociais como o Twitter. “Eu olho os tweets, uma coisa que ninguém acha que eu vou fazer”, conta. Ela relata casos gratificantes de crianças que começaram a gostar de ler com seus livros. Em um encontro, dois meninos contaram a ela que pediram a seus pais para visitarem Fortaleza, sua cidade de origem, somente para encontrar a escritora. “Voltar para casa para escrever depois desse retorno é muito estimulante”, afirma.

As duas escritoras já conquistaram o prêmio Jabuti de Literatura infantil. Quando as crianças perguntaram a Marilda Castanha sobre a premiação e se ela sonhava em ganhar outros prêmios, a autora não hesitou: “Ganhar leitores é melhor que ganhar estátuas”.

Saiba mais sobre as escritoras:

Marilda Castanha é mineira, formada pela Universidade Federal de Minas Gerais na faculdade de Belas Artes. É autora da coleção “Histórias para Contar História”, juntamente com seu marido, o autor e ilustrador Nelson Cruz. Fazem parte da coleção livros como “Agbalá, um lugar continente” (2007) e “Pindorama, terra das Palmeiras” (2007), que conquistou prêmios importantes na literatura, como o Jabuti.

Socorro Acioli é cearense, formada pela Universidade Federal do Ceará em Jornalismo. O livro “O Pipoqueiro João” (1984) foi escrito quando a autora tinha ainda oito anos de idade. Escreveu as biografias de Rachel de Queiroz e de Frei Tito de Alencar Lima. Desde de 2004, escreve livros infantis, como “Bia que tanto lia” (2004) e “Tempo de Caju” (2010); e livros juvenis, como “Vende-se uma família” (2007) e “Inventário de Segredos” (2010).

Leia tudo sobre: fliplivrosliteratura

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas