Autores tratam de época em que “todos viviam no armário”

Por Maria Carolina Gonçalves , enviada especial a Paraty | - Atualizada às

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Um autor brasileiro e outro francês; as mesmas dificuldades para tratar do homossexualismo

Divulgação/Flip
Os escritores Silviano Santiago e Mathieu Lindon debatem na Flip

A última mesa desta quinta-feira (31) na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) recebeu os escritores Silviano Santiago e Mathieu Lindon. Os dois têm um ponto em comum: trabalharam temas de difícil aceitação, sobretudo o amor gay.

A particularidade é que a amizade íntima com o mesmo sexo não chega a culminar no amor gay consumado nos dois livros, que tratam, com sensibilidade, do afeto. “Também tem muito a ver com medo”, aponta Santiago.

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No caso do escritor francês, seu livro “O que amar quer dizer”, lançado no Brasil neste ano, trata de amor, drogas e da relação com o filósofo Michel Foucault, que teve papel fundamental em sua carreira.

Já o mineiro Silviano Santiago evoca o amigo jornalista Ezequiel Neves em “Mil rosas roubadas”, publicado neste ano. “Não é um livro de amor, é um livro de amizade. O fato é que ele não correspondia à imagem que eu tinha de mim mesmo. E eu queria conhecer essa imagem”, conta.

Ele lembra o amor gay na época de sua juventude, na década de 1950, no Brasil. “Era uma época em que todos viviam no armário”, diz. Lindon retoma cenas da infância e episódios em que chegou a pedir para usar apartamento de amigos para as relações “proibidas”.

Na opinião de Lindon, o nome dado à mesa, "Porque era ele, porque era eu", é insuficiente para expressar a dimensão das relações passionais. O título faz referência a uma dedicatória que Montaigne fez ao filósofo Étienne de La Boétie. Assim como os autores convidados para esta mesa, ele homenageou o amigo em seu ensaio "Sobre a Amizade".

Saiba mais sobre os escritores:

Mathieu Lindon

É escritor e jornalista francês. Trabalhou como jornalista no Nouvel Observateur e como crítico literário e colunista no Libération. O livro “Prince et Léonardours” (1987) foi censurado pelo governo da França por abordar temas delicados, como o estupro. Tratou de outros temas que causaram polêmica, como o amor gay.

Silviano Santiago

É escritor e crítico literário brasileiro. Publicou mais de 30 livros, como “Stella Manhattan” (1985) e “Em liberdade” (1981). Ajudou a idealizar e publicar a revista Complemento, em Belo Horizonte, em 1955. Das traduções, destacam-se os poemas de Jacques Prévert e “Por Que Amo Barthes”, de Alain Robbe-Grillet, ambos traduzidos do francês para o português. Sua obra recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, entre outros prêmios nacionais e internacionais.

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