Em entrevista ao iG, diretor da versão para o cinema de "Sargento Getúlio" lamenta morte do escritor: "'Viva o Povo Brasileiro' deveria ser nossa Bíblia"

Primeira obra de destaque do escritor João Ubaldo Ribeiro, "Sargento Getúlio" também marcou a carreira do cineasta Hermano Penna, que levou o livro ao cinema.  Nesta sexta-feira (18), o diretor lamentou a morte do autor , vítima de embolia pulmonar aos 73 anos.

"Estou abalado pela perda de um amigo e de um escritor excepcional, que pensou o Brasil como poucos escritores pensaram", afirmou, em entrevista ao iG .

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Publicado em 1971, o livro de Ubaldo virou filme em 1983. Penna se sentiu impactado pela história do sargento Getúlio (interpretado nas telas por Lima Duarte) e o modo como Ubaldo retratou o coronelismo e o banditismo no sertão.

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"É uma obra quase perfeita, que me tomou a alma. Me apaixonei pela maneira como ele contava aquela história e me identifiquei muito. Meu avô era coronel e minha avó era camponesa, então eu conhecia muito estes dois universos", contou.

Imagem do filme 'Sargento Getúlio', com Lima Duarte, baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro
Divulgação
Imagem do filme 'Sargento Getúlio', com Lima Duarte, baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro

Segundo Penna, Ubaldo Ribeiro aprovou a adaptação logo na primeira conversa e gostou do resultado: ele divulgava o filme e gostava que fosse exibido em lançamentos e eventos comemorativos do livro. Os dois se encontravam principalmente nestas ocasiões, além de manterem comunicação por email.

Penna também foi convidado por Ubaldo para participar da cerimônia que o empossou membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Apesar do impacto de "Sargento Getúlio", o cineasta considera que o grande legado de Ubaldo é "Viva o Povo Brasileiro", de 1984. 

"Quando era mais jovem, minha mãe reuniu os filhos e disse que 'Os Sertões', de Euclides da Cunha, era a Bíblia da nossa casa. Eu falaria isso sobre 'Viva o Povo Brasileiro'. Deveria ser a Bíblia do nosso povo", afirma.

"Quem lê, mergulha profundamente na nossa formação, no que somos, no que pretendemos ser. É uma obra que ilumina a realidade da alma brasileira."

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