Morre aos 86 anos a poeta, escritora e ativista norte-americana Maya Angelou

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Autora de "I Know Why the Caged Birds Sing", ela venceu segregação e infância difícil para se transformar em uma das primeiras escritoras negras de sucesso nos EUA

A poeta e ativista norte-americana morreu nesta quarta-feira (28), aos 86 anos, informou um comunicado da Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte, da qual ela era professora desde 1982. Angelou venceu a pobreza, a segregação e uma infância difícil para se transformar em uma das primeiras mulheres negra a conseguir sucesso como escritora. 

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A escritora Maya Angelou, em foto de 2011

Atriz, cantora e dançarina nos anos 1950 e 1960, Angelou despontou como autora em 1970 com "I Know Why the Caged Birds Sings", primeira parte de uma autobiografia que se estendeu por décadas. Em 1993, ganhou fama ao ler o poema "On the Pulse of the Morning" durante a posse de Bill Clinton como presidente dos Estados Unidos. A leitura confiante impressionou o líder e fez do poema um best-seller.

Para George W. Bush ela leu outro poema, "Amazing Grace", durante a cerimônia de inauguração da árvore de natal da Casa Branca, em 2005. Apoiou a tentativa de Hillary Clinton de ser a candidata à presidência do Partido Democrata em 2008, derrotada pela de Barack Obama, que depois se tornaria o primeiro presidente negro dos EUA.

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Barack Obama beija Maya Angelou depois de lhe entregar Medalha da Liberdade, em 2011

Angelou era considerada uma mentora pela apresentadora Oprah Winfrey desde que ela era uma desconhecida repórter.

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A escritora publicava não apenas poesia, mas também livros de conselhos, de receitas e para crianças. Ainda compunha música, escrevia peças e roteiros, e receu uma indicação ao Emmy pela atuação na minissérie "Roots".

Nascida Marguerite Johnson em St. Louis, ela se mudou bastante durante a infância, acompanhando os pais e a avó, que passavam por dificuldades financeiras. Aos sete anos, foi estuprada pelo namorado da mãe e ficou anos sem falar. Se recuperou com a ajuda da leitura e da música.

"Uma mulher da minha cidade me levou a uma biblioteca de uma escola para negros. Li todos os livros, mesmo sem entender", contou, em entrevista à Associated Press.

Aos 9 anos ela já escrevia poemas e aos 17, se tornou mãe solteira. Com cerca de 20 anos, dançou em clubes de strip-tease, gerenciou um bordel, se casou e divorciou. Antes dos 30, estava se apresentando no teatro Purple Onion, em São Francisco, junto com Phyllis Diller. Da cantora Billie Holliday, ouviu a seguinte frase: "Você será famosa, mas não como cantora."

Ativista, ela trabalhou como coodenadora de um grupo pelos direitos civis dos negros e viveu no Egito e em Gana, onde conheceu Malcom X. Também colaborou com Martin Luther King.

Com AP


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