Com flores amarelas, milhares de fãs se despedem de Gabriel García Márquez

Por Reuters |

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Palácio de Belas Artes, no México, foi cercado por cordão de isolamento policial; presidente da Colômbia também participou

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Convidados no funeral de Gabriel García Márquez

Com lágrimas e flores amarelas, milhares de leitores do colombiano Gabriel García Márquez compareceram na noite de segunda-feira (21) ao Palácio de Belas Artes, na Cidade do México, para a última despedida ao escritor, que teve suas cinzas depositadas no local.

Prêmio Nobel de Literatura em 1982 e uma das maiores figuras latino-americanas das letras, Gabriel Gárcia Márquez morreu aos 87 anos na quinta-feira (17), na capital mexicana, pouco mais de uma semana depois de deixar o hospital com um quadro de pneumonia e infecção das vias urinárias.

"Venho porque sempre quis lhe dizer como era importante, e por vergonha e por vê-lo tão grande nunca lhe fiz saber, nem sequer por carta", disse, com lágrimas nos olhos, a bióloga Monserrat Paredes, de 27 anos, que estava na enorme fila formada em frente ao edifício.

Como Paredes, muitos levavam flores amarelas, as favoritas do escritor, e outros portavam exemplares de seus livros ou cartazes com frases como "Gabo vive".

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No dia de seu aniversário (06/03/2014), Gabriel García Márquez cumprimenta fãs do lado de fora de sua casa na Cidade do México. Foto: APGabriel García Márquez e a cineasta espanhola Pila Miró (2012). Foto: Getty ImagesO escritor Gabriel García Márquez (2012). Foto: Getty ImagesGabriel García Márquez na inauguração do museu Soumaya na Cidade do México, com Carlos Slim (esq) e Evelyn de Rothschild (17/04/2011). Foto: APGabriel García Márquez e o autor mexicano Carlos Fuentes, em evento na Cidade do México (18/11/2008). Foto: APGabriel García Márquez mostra a língua para fotógrafos em Aracataca, sua cidade natal, ao lado da mulher, Mercedes Barcha (30/03/2007). Foto: APO escritor Gabriel García Márquez e o então presidente em exercício de Cuba, Raúl Castro, em Havana (02/12/2006). Foto: APGabriel García Márquez conversa com o diretor Roman Polanski em Havana (13/12/2002). Foto: APGabriel García Márquez e Fidel Castro conversam durante jantar em Havana (03/03/2000)
. Foto: APGabriel García Márquez encontra o líder palestino Yasser Arafat em Cartagena, na Colômbia (20/10/1995). Foto: APGabriel García Márquez recebe o Nobel da Paz em Estocolmo, na Suécia (08/12/1982) . Foto: APO escritor Gabriel García Márquez, em foto sem data. Foto: Divulgação

"Foi uma grande inspiração. Não somos cem, somos milhares a quem ele nos deixou seu ensinamento... Ele já era uma lenda, e assim temos de lembrá-lo", afirmou a estudante Yoali Benavides, de 18 anos.

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O Palácio de Belas Artes foi cercado por cordão de isolamento policial, e uma enorme foto do escritor sorridente, em preto e branco, foi colocada perto da entrada. O mesmo palácio já recebeu os velórios da pintora Frida Kahlo, em 1954, e do escritor Carlos Fuentes, em 2012.

No lado de dentro, junto às cinzas, enormes ramos de rosas e outras flores amarelas contrastavam com a solenidade da vigília em que se revezavam familiares, intelectuais e amigos.

"Partiu um grande, um homem verdadeiramente grande, mas fica conosco a sua obra", disse o presidente do México, Enrique Peña Nieto, que compareceu ao ato ao lado do seu colega colombiano, Juan Manuel Santos.

Santos, que foi ao México especialmente para a cerimônia, disse que García Márquez foi "mais do que colombiano, incorporou nas suas obras a própria essência do ser latino-americano e, muito especialmente, do ser Caribe".

Ao final dos discursos, alguns participantes lançaram borboletas de papel, também amarelas, como aquelas que perseguiam o personagem Mauricio Babilonia no romance mais famoso de García Márquez, "Cem Anos de Solidão".

A família do escritor ainda não decidiu se as cinzas serão mantidas no México ou transferidas para a Colômbia, segundo Rafael Tovar, diretor do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes do México.

O prefeito de Aracataca --cidade natal e fonte de inspiração do escritor-- pediu na semana passada que as cinzas sejam guardadas lá.

García Márquez apareceu em público pela última vez em 6 de março, dia do seu aniversário, quando saiu para cumprimentar admiradores em frente à sua casa. Vestia paletó cinza, com uma rosa amarela na lapela.

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