Gabriel García Márquez será cremado em cerimônia privada na Cidade do México

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Apenas familiares e amigos próximos do escritor colombiano poderão assistir ao funeral

O corpo do colombiano Gabriel García Márquez será cremado em uma cerimônia privada na Cidade do México. O anúncio foi feito por Maria Cristina García, diretora do Instituto Nacional de Belas Artes do México, local em que o escritor será homenageado na segunda-feira.

Ganhador do Nobel de Literatura em 1982, Gabriel García Márquez morreu aos 87 anos, na quinta-feira (17). A causa foi infecção pulmonar.

No dia de seu aniversário (06/03/2014), Gabriel García Márquez cumprimenta fãs do lado de fora de sua casa na Cidade do México. Foto: APGabriel García Márquez e a cineasta espanhola Pila Miró (2012). Foto: Getty ImagesO escritor Gabriel García Márquez (2012). Foto: Getty ImagesGabriel García Márquez na inauguração do museu Soumaya na Cidade do México, com Carlos Slim (esq) e Evelyn de Rothschild (17/04/2011). Foto: APGabriel García Márquez e o autor mexicano Carlos Fuentes, em evento na Cidade do México (18/11/2008). Foto: APGabriel García Márquez mostra a língua para fotógrafos em Aracataca, sua cidade natal, ao lado da mulher, Mercedes Barcha (30/03/2007). Foto: APO escritor Gabriel García Márquez e o então presidente em exercício de Cuba, Raúl Castro, em Havana (02/12/2006). Foto: APGabriel García Márquez conversa com o diretor Roman Polanski em Havana (13/12/2002). Foto: APGabriel García Márquez e Fidel Castro conversam durante jantar em Havana (03/03/2000)
. Foto: APGabriel García Márquez encontra o líder palestino Yasser Arafat em Cartagena, na Colômbia (20/10/1995). Foto: APGabriel García Márquez recebe o Nobel da Paz em Estocolmo, na Suécia (08/12/1982) . Foto: APO escritor Gabriel García Márquez, em foto sem data. Foto: Divulgação

Apenas familiares e amigos próximos do escritor poderão assistir a cerimônia de cremação. García Márquez vivia no México com a mulher, Mércedes, e os dois filhos, Rodrigo e Gonzalo. Uma irmã do escritor, que vive na Colômbia, disse que gostaria que os restos do autor de "Cem Anos de Solidão" (1967) voltassem para seu país natal.

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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, decretou luto oficial de três dias no país. "Era um escritor que mudou a vida de seus leitores. Toda a Colômbia lamenta sua morte", disse um comunicado do governo colombiano.

AP
Gabriel García Márquez em foto sem data

No dia 8 de abril, o García Márquez recebeu alta após ficar oito dias hospitalizado no México por causa de uma pneumonia. Os médicos e a família alertaram, porém, que sua saúde era frágil. O escritor teve um câncer linfático nos anos 1990, e em 2012 seu irmão, Jaime, afirmou que ele sofria de "demência senil".

Nos últimos anos, o autor evitava aparições públicas. Mas no último aniversário, em 6 de março, apareceu em frente à sua casa na Cidade do México para receber amigos e fãs que levaram bolo e flores. O escritor foi fotografado, mas não se pronunciou.

Nascimento e infância

Gabriel García Márquez nasceu em 1927 na pequena cidade de Aracataca, norte da Colômbia. Ele passou a infância sob os cuidados dos avós maternos, o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía (veterano da guerra dos Mil Dias, da Colômbia) e Tranquilina Iguarán.

O escritor sempre disse que a semente de seu estilo e de sua imaginação estava nesta parte de sua vida, no casarão onde sua avó contava histórias sobrenaturais, com naturalidade.

Aos 8 anos, após a morte dos avós, voltou a morar com os pais e irmãos em Sucre.

Aos 12 anos, ganhou uma bolsa de estudos para um internato em Zipaquirá, cidade perto de Bogotá que muitos reconhecem nas descrições do povoado lúgubre e remoto onde o personagem Aureliano Segundo vai buscar Fernanda del Carpio no livro "Cem Anos de Solidão".

Os anos no internato foram decisivos para a formação do escritor, que passava as tardes devorando obras de Julio Verne e Alexandre Dumas. Em 1947 García Márquez começou a estudar direito na Universidade Nacional de Bogotá. Neste mesmo ano, publicou no diário colombiano "El Espectador" seu primeiro conto, "La Tercera Resignación".

Durante a faculdade, frequentou círculos de escritores e jornalistas, inclusive um grupo conhecido como Barranquilla, formado por Álvaro Cepeda Samudio, Alfonso Fuenmayor e Germán Vargas, que o apresentaram Ramón Vinyes e a autores como William Faulkner, Ernest Hemingway, Franz Kafka e Virginia Woolf.

Carreira do jornalismo

Com os anos, Márquez passou a se dedicar cada vez mais ao jornalismo, trabalhando inclusive como crítico de cinema. Nos anos 1950 foi enviado à Europa para ser correspondente do "El Espectador". Desde então morou em vários lugares, como Roma, Paris, Barcelona, Nova York e Cidade do México, onde viveu nos últimos 30 anos.

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Em uma de suas visitas à Colômbia, em 1958, se casou com Mercedes Barcha.

Nos anos 1960, trabalhou na agência de notícias criada pelo governo cubano após a Revolução, a Prensa Latina. Nesta ocasião começou seu interesse pela ilha e sua amizade com Fidel Castro.

Literatura

O primeiro livro publicado foi "O Enterro do Diabo: A Revoada", em 1955. Pouco mais de dez anos depois, em 1967, alcançou o sucesso internacional com "Cem Anos de Solidão".

Símbolo de um período de forte ascensão de escritores latino-americanos, a obra vendeu 50 milhões de cópias em 25 idiomas. Misturando fantasia e realidade, "Cem Anos de Solidão" conta a história de sete gerações da família Buendía, que vive no povoado fictício de Macondo, situado em algum lugar da costa colombiana entre os séculos 19 e 20.

O escritor e jornalista norte-americano William Kennedy definiu "Cem Anos de Solidão" como "a primeira obra literária desde o Livro de Gênesis que deveria ser obrigatória para toda a raça humana".

Atividade política

Instalado em Barcelona, na Espanha, García Márquez escreveu o romance "O Outono do Patriarca", o relato sobre um ditador da América Latina, um livro publicado em 1975 e que confirmou a força literária do escritor colombiano.

Por volta deste período houve divisão política entre os integrantes do "boom" da literatura da América Latina. Em 1971 ocorreu a detenção e depois a confissão pública de culpa em Cuba do poeta Heberto Padilla, algo que lembrou a muitos os julgamentos stalinistas.

Enquanto escritores como Mario Vargas Llosa (de forma pública e furiosa) e Carlos Fuentes (de forma mais discreta) se distanciaram do regime cubano, García Márquez continuou apoiando o governo da ilha junto com Julio Cortázar.

A década de 1970 foi o período de maior atividade política do escritor, quando ele anunciou que não voltaria a publicar obras de ficção até que Augusto Pinochet deixasse o poder no Chile. Rompeu a promessa em 1981, quando publicou "Crônica de uma Morte Anunciada".

Nobel da Literatura

Em 1982, García Márquez ganhou o Nobel de Literatura, o quarto escritor latino-americano a receber o prêmio, depois dos chilenos Gabriel Mistral (em 1945) e Pablo Neruda (em 1971) e do guatemalteco Miguel Ángel Asturias (em 1967).

A Real Academia Sueca de Ciências, que entrega o prêmio, justificou a escolha dizendo que nos romances e contos de García Márquez "o fantástico e o realismo são combinados em um rico mundo composto de imaginação, e que reflete a vida e os conflitos de um continente".

O autor foi além do sucesso de um livro só. Depois do prêmio, escreveu outros três livros: "O Amor nos Tempos do Cólera", "O General em Seu Labirinto" (sobre os últimos dias de Simón Bolívar), "Do Amor e Outros Demônios" e "Memórias de Minhas Putas Tristes", de 2004, sua última obra de ficção.

Também publicou o livro de relatos "Doces Contos Peregrinos", uma grande reportagem, "Notícia de um Sequestro", e suas memórias, "Viver para Contar", em 2002.

Cada novo trabalho era esperado com expectativa por críticos e leitores e traduzidos para vários idiomas. A morte era um de seus temas mais frequentes, bem como a força do destino e do inexplicável.

"Com suas histórias, García Márquez criou um mundo próprio, que é um microcosmo. É tumultuado e desconcertante, mas passa autenticidade e reflete o continente (América Latina), sua riqueza humana e sua pobreza", definiu a Real Academia.

Com informações da AP e da BBC Brasil

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