Livro narra um "rock romance" da geração que foi adolescente nos anos 1990

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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O músico Lou Reed e o escritor pop Nick Hornby influenciaram "Álbum Duplo", de Paulo Henrique Ferreira

Divulgação/Facebook
Paulo Henrique Ferreira, autor de "Álbum Duplo"

"Eu estava totalmente entregue àquela mulher magnífica (...). Estava vivo, realmente vivo, um homem supersônico, um foguete em direção a Marte (ainda sem saber que estava em rota de colisão), igualzinho àquela música "Don't Stop me Now", do Queen", descreve Marlo, protagonista do livro "Álbum Duplo" (Editora Record).

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Escrito por Paulo Henrique Ferreira, o "rock romance" em primeira pessoa tem o gênero musical como "espinha dorsal" da trama, que mostra um jovem adulto devastado pelo amor e pelas escolhas duvidosas que faz por impulso. Por causa de algumas decepções e guiado por canções de seus artistas favoritos, Marlo repensa a vida e amadurece.

Fã do músico Lou Reed, que lhe inspira autenticidade, e apaixonado por Marcela (por quem sofre crises de insegurança), Marlo usa o rock and roll como filosofia de vida. A obra ainda traz muitas referências à cultura pop, como filmes de Quentin Tarantino, viagens de entorpecentes e aventuras sexuais.

"O rock serve como um guia para a reflexão das crises, como filosofia para o Marlo parar e pensar", diz o autor ao iG. Influenciado por escritores como Fernando Sabino e Nick Hornby, Ferreira recomenda uma lista de 51 canções para serem ouvidas com a leitura. "Essas músicas vieram durante a redação do livro."

Leia a entrevista com o autor:

Divulgação/Facebook
Capa de "Álbum Duplo"

iG: Você viveu uma história parecida com a do livro?
Paulo Henrique Ferreira: Não, mas conheço histórias parecidas. Pensei em ancorar no rock and roll, em uma experiência lisérgica. Usei tanto histórias de relacionamentos quanto tramas exploradas em outras áreas literárias, como "O Encontro Marcado", do Fernando Sabino. Imagino que o Marlo tenha uns 27 anos e cresceu com sonhos, muitas referências musicais, muita liberdade em relação às opções e às escolhas, mas pouca reflexão em relação às consequências.

iG: O rock and roll pode ser considerado como um personagem?
Paulo Henrique Ferreira: O rock é a espinha dorsal tanto para o fundo do poço quanto para a saída dele. O rock serve como um guia para a reflexão das crises, como filosofia para o Marlo parar e pensar. No rock, ele obtinha respostas, conseguia organizar os próximos passos e isso ajudava a entender o que ele estava sentindo.

iG: Como você chegou à seleção de 51 músicas para ouvir com a leitura?
Paulo Henrique Ferreira: Quando comecei a escrever, esse tempero do rock and roll foi surgindo na medida em que a narrativa foi acontecendo. Em momentos de raiva do personagem, vinha uma música do Rolling Stones, em momentos de lisergia, do Doors, em momentos picantes, Lou Reed. Essas músicas vieram durante a redação do livro, escrito a partir de uma trilha sonora que foi surgindo.

iG: Nota-se que o Lou Reed é de grande influência. Tem um motivo?
Paulo Henrique Ferreira: Acho que ele tem essa poesia crua, é autêntico, e o Marlo busca por autenticidade, mas não consegue. Essa é a crise dele. Ele é inseguro. O livro chegou na semana em que o Lou Reed morreu, foi uma coincidência que deixou tudo maior. Ele era um músico que falava das coisas como elas são, não tinha insegurança e a crise toda do Marlo é essa.

iG: Você seria amigo desse personagem?
Paulo Henrique Ferreira: Acho que o Marlo é um tipo interessante, tem um bom gosto musical. Claro que ele tem alguma coisa da minha própria experiência. Eu também vim do interior, minha mae também morreu. Espero que a Marcela (mulher por quem Marlo é apaixonado) o perdoe, acho que agora ele está pronto para amar uma mulher.

iG: Como você define o amor da geração do Marlo, nascida no final dos anos 1980 e atualmente perto dos 30 anos?
Paulo Henrique Ferreira: Para essa geração do Marlo, a busca pelo amor fica mais difícil porque as distrações são muito maiores, as relações são mais superficiais.

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