Mesmo mantendo uma identidade secreta, grafiteiro Banksy ganha biografia

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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"Senti que tinha material suficiente e não importava mais se eu falaria com Banksy", conta o autor ao iG

Até hoje se desconhece a idade, o nome verdadeiro e até mesmo o rosto do grafiteiro britânico Banksy, que foi objeto de estudo da biografia "Banksy - Por Trás das Paredes", escrita por Will Ellsworth-Jones (lançada no Brasil pela editora Nossa Cultura).

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A blindagem feita ao redor do artista não permitiu que o autor do livro conseguisse entrevistá-lo, o que depois Ellsworth-Jones não considerou como fundamental. "Senti que tinha material suficiente e não importava mais se eu falaria com Banksy", conta em entrevista ao iG.

O autor dedicou-se a falar com amigos e conhecidos do grafiteiro, que, para não "traírem" o artista, falaram de maneira igualmente sigilosa e sem revelar suas identidades.

Novo grafite de Banksy, em Manhattan, antes de ser coberto de tinta. Foto: BBCBanksy. Foto: ReproduçãoBanksy. Foto: ReproduçãoBanksy. Foto: DivulgaçãoObra 'Flower Girl', de Banksy . Foto: ReproduçãoA tela do grafiteiro Banksy que mostra oficial nazista. Foto: APGrafite de Banksy no Brooklyn. Foto: APObras do Banksy são vendidas por R$ 130 em barraca. Foto: BBCMural em Los Angeles que teria sido feito por Banksy. Foto: ReproduçãoO mural de Banksy na esquina das ruas Tottenham High Road e Philip Lane, em Londres. Foto: Romany WGA obra de Banksy que desapareceu em Londres. Foto: ReproduçãoFotografia do grafite "Love is In The Air", de Banksy. Foto: Domínio PúblicoMural "Every Picture tells a lie", encontrado em Berlim. Foto: ReutersBanksy em cena do documentário: identidade secreta. Foto: DivulgaçãoBanksy. Foto: DivulgaçãoBanksy. Foto: Divulgação

"O trabalho de Banksy em tela, quem sabe, será comprado pelos maiores museus do mundo. Mas ele provavelmente não estará vivo para ver isso", complementou. A técnica do grafiteiro, que também é pintor e ativista político, é rica em subversão e ironia e os desenhos são aplicados com estêncil.

Em outubro, Banksy surpreendeu Nova York com várias imagens, que apareciam inesperadamente em diversos pontos da cidade para mexer com o cotidiano dos turistas e habitantes.

Acredita-se que Banksy tenha passado por Fortaleza, no Ceará, em novembro deste ano. Ele teria deixado o desenho de um menino urinando na parede do Batalhão de Choque da Polícia Militar, subversão que seria compatível com seu estilo. Até o momento, o artista não comprovou a autoria da obra.

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"Banksy é auxiliado pelo fato de que as pessoas parecem apreciar uma celebridade misteriosa tanto quanto gostam de saber dos 'segredos' de uma celebridade. Os fãs leais estão determinados a não saber quem ele é", descreve a biografia sobre a proteção, até mesmo natural, que é feita ao redor do excêntrico artista.

Leia a entrevista com o autor do livro:

iG: Qual foi a maior dificuldade para escrever uma biografia sobre alguém que você não pode, de fato, conhecer?
Will Ellsworth-Jones: Obviamente, não ter o artista pessoalmente para explicar e discursar sobre seu próprio trabalho torna a vida mais difícil. Falei com amigos e conhecidos dele que eu queria entrevistar e que não daria os nomes. Alguns concordaram em falar sob essas condições, outros não. Era sempre um golpe quando alguém se negava a falar, mas então eu percebia que não era algo pessoal. No final da minha pesquisa, senti que tinha material suficiente e não importava mais se eu falaria com o Banksy.

iG: Por que você quis escrever sobre Banksy?
Will Ellsworth-Jones: No começo de 2010, meu editor achou que eu seria uma boa pessoa para escrever um livro sobre Banksy. Meu livro anterior foi sobre objetores de consciência, que foram pessoas que se negaram a lutar na Primeira Guerra Mundial. Eu não via muita conexão (entre os temas), mas eu havia gostado do que tinha visto do trabalho do Banksy e pensei que seria fascinante descobrir mais sobre ele.

iG: Em sua opinião, quais são as maiores contribuições de Banksy para a arte e a sociedade?
Will Ellsworth-Jones: Acho que agora a arte de rua está no mapa das artes, mas não é o futuro da arte. Uma grande coisa sobre arte é que nós não sabemos o futuro, ela continua mudando. Quem poderia ter previsto os impressionistas ou Marcel Duchamp, Pablo Picasso e Andy Warhol. Banksy vai permanecer como um artista importante e o trabalho dele em tela, quem sabe, será comprado pelos maiores museus do mundo. Mas ele provavelmente não estará vivo para ver isso.

iG: No Brasil há uma discussão sobre as biografias (livros e filmes), pois os artistas querem ser consultados antes, fornecer autorização e compartilhar lucros com o autor. O que você acha dessa espécie de "censura prévia" que alguns artistas estão pedindo?
Will Ellsworth-Jones: Acho que aí há questões difíceis de liberdade de expressão, na qual o direito à privacidade tem de ser equilibrado com a liberdade de discurso. Isso me parece uma postura exagerada. (Nessas condições) eu certamente não poderia ter escrito um livro sobre Banksy, porque ele não teria me dado permissão. Pessoas são protegidas por leis contra calúnia, mas dessa forma (do Brasil) é um grande golpe à liberdade de expressão. Eu falei com a assessoria do Banksy para fazer uma entrevista, mas ela não aprovaria exceto se eu mostrasse o manuscrito do livro. Eu não estava pronto para isso, então não teve a entrevista. Segundo as leis do Brasil, Banksy poderia embargar o livro. É exagerado, e acho que Banksy pensaria isso também.

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