"Fechei o ano maravilhosamente", diz Antônio Torres, novo imortal da ABL

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Escritor comemora a eleição para a Academia Brasileira de Letras, a primeira de um romancista em dez anos

Pouco tempo de conversa é suficiente para que fique clara a alegria do escritor baiano Antônio Torres, 73 anos, em ter sido eleito imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). "Puxa vida, fechei o ano maravilhosamente", disse, em entrevista por telefone ao iG. "Nem sei te definir meu estado de espírito, mas você pode imaginar que seja o melhor possível."

Torres foi eleito para a cadeira 23 na quinta-feira (7), recebendo 34 dos 39 votos possíveis. Fundada por Machado de Assis e com José de Alencar como patrono, a cadeira estava vaga desde a morte de Luiz Paulo Horta, em agosto.

Leia também: Antônio Torres é eleito imortal da Academia Brasileira de Letras

Divulgação
O escritor Antônio Torres

A eleição de Torres manteve a tradição baiana da cadeira, que já foi ocupada por Otávio Mangabeira, Jorge Amado e Zélia Gattai, que era paulista, mas se "naturalizou baiana", nas palavras do escritor.

É, ainda, a primeira eleição de um romancista em dez anos, período em que a ABL escolheu escritores que se dedicavam a outros formatos, como poesia, ensaio e reportagem.

Siga o iG Cultura no Twitter

"Fui incentivado a concorrer agora porque o clima estava bem favorável. Era a vez de um romancista. Eu já estava encaminhado, já tinha concorrido. Foi uma campanha bem tranquila", afirmou Torres, que concorreu à ABL pela última vez em 2011.

Divulgação
O escritor Antônio Torres

Segundo ele, seu caminho até a eleição foi longo e de muito aprendizado. "Você tem de aprender a perder para aprender a competir", afirmou. "As outras (candidaturas) estavam verdes, esta veio madura."

O escritor se disse feliz em poder "participar mais intimamente" da programação cultural da ABL, que já costuma acompanhar. "É a casa do pensamento, da literatura. Eu vou aprendendo muito."

Questionado sobre se o romance vai bem no Brasil, Torres respondeu: "A literatura, em geral, não vai bem no mundo. O produto livro vai bem, sobretudo no Brasil, mas a literatura tem sido muito prejudicada pelas instantaneidades e imposições mercadológicas."

E completou: "Neste contexto, a eleição de um romancista, de um autor literário para a ABL, é muito bem-vinda. É um bom lugar para um escritor estar."

Trajetória

Torres tem 17 obras publicadas. A primeira, "Um Cão Uivando Para a Lua", é de 1972. Entre os livros mais conhecidos estão a trilogia "Essa terra", "O Cachorro e o Lobo" e "Pelo Fundo da Agulha" e o romance "Meu Querido Canibal".

O escritor teve títulos publicados em Argentina, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Itália, Holanda e França, cujo governo o condecorou como "Chevalier des Arts et des Lettres".

Torres também é vendedor do Prêmio Machado de Assis, concedido pela ABL, e do Prêmio Jabuti, entregue pela Câmara Brasileira do Livro.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas