Há 120 anos nascia Mário de Andrade, um dos fundadores do modernismo brasileiro

Por iG São Paulo |

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Relembre a trajetória do autor de "Macunaíma" e "Paulicéia Desvairada", que foi secretário de Cultura de SP e um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922

Poeta, romancista, fotógrafo, musicólogo, ensaísta, folclorista, crítico, um dos fundadores do modernismo brasileiro e nome fundamental da Semana de Arte Moderna de 1922. Foram muitas as ocupações e momentos relevantes da carreira do paulistano Mário de Andrade, que completaria 120 anos nesta quarta-feira (9).

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Da esquerda para a direita: Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco

Mário Raul de Moraes Andrade nasceu em 1893 e desde pequeno demonstrou interesse pelas artes, escrevendo os primeiros poemas e entrando, em 1911, para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, com o intuito de se tornar concertista.

A morte do irmão de 14 anos em 1913 mudou tais planos. Abatido por uma crise emocional, o paulistano desenvolveu um tremor nas mãos que comprometeu sua carreira de concertista. Ainda assim, se formou no Conservatório, com o novo intuito de se tornar professor, em 1917 – mesmo ano em que lançou seu primeiro livro de poesias, “Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema”, com o pseudônimo Mário Sobral.

Em 1922, Mario de Andrade se consagrou como um dos grandes nomes do modernismo brasileiro. Como integrante do “Grupo do Cinco”, ao lado de Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, organizou a Semana da Arte Moderna.

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O escritor Mário de Andrade

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O evento contou com exposições, leituras e palestras sobre uma nova forma de fazer arte, mais focada na liberdade e experimentação. No mesmo ano lançou “Paulicéia Desvairada”, livro de poesias modernistas que quebrou de vez com regras e estruturas vigentes.

Em 1928 Andrade escreveu uma de suas obras mais celebradas: o romance modernista “Macunaíma”. O anti-herói que dá nome é o livro é um índio que representa a população brasileira e tem a preguiça como uma de suas principais característica.

Para Silvana Rubino, curadora da exposição “Ocupação Mário de Andrade”, que ficou em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo, entre junho e julho deste ano, a relevância de Andrade é “variada”. Além do valor literário de suas obras e do impacto da Semana de Arte Moderna na cultura brasileira, ela destaca a importância do trabalho político do autor.

“Muito do que ele implantou como secretário de Cultura de São Paulo, de 1935 a 1938, está na agenda política até hoje”. No cargo, ele criou os ônibus-biblioteca (que promoviam o empréstimo de livros), os Parques Infantis (espaços para crianças filhas de trabalhadores), a Discoteca Municipal (centro de informação especializado em música) e fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore, entre outras medidas.

Outro trabalho importante realizado por Andrade foram as expedições de Pesquisa Folclóricas. O autor se dedicou a catalogar as músicas populares brasileiras, enviando missões principalmente para o Norte e Nordeste, estudando o encontro entre antropologia, música e contexto cultural.

Mario de Andrade morreu em São Paulo, em 25 de fevereiro de 1945, aos 51 anos, vítima de um enfarte do miocárdio.

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